05 out

Desempenho dos candidatos nas redes mantém estabilidade

Bolsonaro continua na liderança no volume de menções no Twitter, após dominar as discussões durante o debate da TV Globo; Ciro e Haddad vêm em segundo e terceiro, tanto no volume de tuítes como no Facebook

Atualizado em 8 de outubro, 2018 às 2:07 pm

Capitaneadas pela participação — ou pela ausência — no último debate televisivo anterior ao 1º turno, promovido pela TV Globo, as menções aos cinco candidatos à Presidência melhor colocados nas últimas pesquisas dispararam no Twitter. Entre as 12h de quinta (04) e as 12h desta sexta-feira (05), os presidenciáveis mobilizaram mais de 2,96 milhões de menções na rede — volume 91% maior do que o verificado nas 24 horas anteriores. Cerca de 55% das publicações foram publicadas no horário da sabatina, entre 22h de quinta e 1h de sexta.

Jair Bolsonaro mantém-se como o presidenciável mais citado, com 1,67 milhão de registros. Além de comentários sobre sua ausência no debate e sobre a entrevista para a TV Record, transmitida no mesmo horário — majoritariamente negativos —, o candidato pelo PSL também é bastante citado em associação a Ciro Gomes, em uma narrativa que coloca o pedetista como opção mais viável para vencer o ex-capitão em um 2º turno. Entre as postagens mais retuitadas, também se destacam as que afirmam, ora em tom de comemoração, ora de preocupação, que cresce a chance de vitória de Bolsonaro no 1º turno. Vale destacar a recorrente associação do candidato à fala crítica de Guilherme Boulos sobre a ditadura militar. Tais usuários citam o episódio em alusão à postura de Bolsonaro em relação à tortura e ao golpe de 1964.

Dentre os principais tuítes envolvendo o nome de Ciro — 2º candidato mais mencionado na rede, com 949,1 mil tuítes —, aparecem, expressivamente, publicações de perfis afirmando a escolha com um tom de pragmatismo. Ciro representa uma escolha “útil” para estes usuários, tanto em relação a Fernando Haddad, devido ao receio de que o antipetismo possa levar a uma vitória de Bolsonaro no 2º turno, como em relação a Guilherme Boulos, por não acreditarem em uma possível vitória do candidato do PSOL, ainda que gostem do programa e da postura do candidato no debate. Uma das publicações mais retuitadas parte do perfil do próprio pedetista, que agradeceu aos apoiadores pelo “apelo ao bom senso e à racionalidade”.

Com 558,7 mil menções, Haddad, 3º candidato mais citado no período de análise, foi bastante criticado em publicações com temáticas associadas à corupção e ao alto índice de rejeição a seu nome. Alguns usuários criticam, também, os eleitores do petista, que estariam mantendo o voto nele por uma “escolha ideológica” e “sem pragmatismo”. Para esses usuários, Ciro teria mais chances de derrotar Bolsonaro em um 2º turno do que o candidato indicado por Lula.

Em relação à Marina Silva, foram registrados 247 mil tuítes. A trajetória da candidata é lembrada em alguns dos posts mais retuitados com admiração, em uma tentativa de mostrar que ela não deveria ser adjetivada de fraca, como seus opositores costumam fazer. Em seu perfil no Twitter, Marina reforça o dito no debate sobre Bolsonaro ter “amarelado” ao não comparecer à sabatina Globo, ao mesmo tempo em que dava entrevista à Record – fato que movimentou fortes críticas de apoiadores de Bolsonaro, os quais justificam a ausência do candidato pela necessidade de repouso. Alguns perfis falam também de Marina como sendo, junto a Boulos, a única candidata íntegra, de fato. A candidata apela para que as pessoas votem “pela união” do Brasil contra o ódio que “não constrói futuro”.

Geraldo Alckmin foi o candidato que menos conseguiu converter a participação no debate da TV Globo em referências no Twitter — mesmo com o pico de menções durante a transmissão, o tucano acumulou, nas 24 horas analisadas, 155,5 mil menções. Entre as principais publicações, destacam-se as que o acusam, entre outros candidatos, de ofender Bolsonaro e seus eleitores durante o debate. Usuários criticaram, ainda, a gestão do candidato em São Paulo e afirmam, em tom de brincadeira, que Ana Amélia deve estar arrependida de ter aceitado ser sua vice. Por outro lado, as declarações de Alckmin sobre a necessidade de buscar um caminho menos polarizado para o voto recebeu elogios, e o presidenciável foi classificado como democrático.

Facebook

No Facebook, Jair Bolsonaro também manteve a liderança em volume de engajamento. Entre as 01h e 12h desta sexta-feira (05), o candidato do PSL mobilizou uma média de 47,8 mil interações por publicação em sua página. Ciro alcançou a segunda maior média de engajamento — 10,9 mil interações por post — alavancado por uma publicação que afirma que sua candidatura teria maior capacidade de vencer Bolsonaro no segundo turno, em relação a Haddad. O candidato petista, por sua vez, mobilizou, em média, 6,3 mil comentários, reações e compartilhamentos em cada publicação da manhã de hoje. Haddad tentou mobilizar esforços para o combate à divulgação de fake news, que vêm atingindo sua campanha especialmente na última semana. Seu post com maior engajamento nesta rede foi um vídeo com suas considerações finais durante o debate. Marina, por sua vez, conseguiu alcançar 2 mil interações por publicação, em média, ganhando em engajamento apenas de Alckmin (817 interações/post). No entanto, a candidata registrou número significativo de interações em uma publicação em que afirma ser uma “pacificadora” e que o país precisa de “força moral”, ao invés de “força física”. Alckmin, que no debate atacou tanto o PT como Bolsonaro, veiculou publicação com este mesmo tom na rede, numa tentativa de se posicionar como candidato de centro, além de propostas de sua campanha.