25 set

Alckmin é quem mais ataca rivais; Bolsonaro tem apoio para críticas

Candidato do PT, seja Lula ou Haddad, é principal alvo de menções negativas de adversários no Twitter; no Facebook, 10% dos posts dos candidatos mencionam outros atores envolvidos ou não na corrida eleitoral

Atualizado em 26 de setembro, 2018 às 10:39 am

Ao longo desta corrida presidencial, verificaram-se até agora diferentes comportamentos, tanto no Twitter quanto no Facebook, na utilização estratégica das plataformas pelos presidenciáveis ao citar adversários. Quem desponta em vantagem nas pesquisas ou se aproxima dos dois “polos” do espectro político, casos de Jair Bolsonaro e Fernando Haddad, concentrou a maior parte das mensagens críticas a adversários, e Geraldo Alckmin, principal “adversário” comum às chapas de PT e PSL. E, em ambas as plataformas, predominaram os ataques a valores, em vez de críticas a agendas ou programas de governo.

Ataques no Twitter

No Twitter, a FGV DAPP coletou referências aos cinco candidatos com maior intenção de votos nas pesquisas de opinião feitas pelos perfis de cada candidato e por influenciadores[1] das bases de apoio de cada um na rede, de 16 de agosto a 16 de setembro. No caso da campanha do PT, a análise leva em consideração os dois períodos de tempo em que Lula e Haddad representaram o partido na candidatura à Presidência — ou seja, com o perfil de Lula, a partir de 11 de setembro, como influenciador da base de Haddad. De uma base total de 3.302 tuítes com atributos textuais feitos pelas contas analisadas — ou seja, tuítes que não foram apenas compartilhamentos de links, vídeos ou imagens, mas tinham elementos textuais —, em 11,2% (372) houve citações de candidatos a um ou mais concorrentes.

As diferenças de posicionamento entre os candidatos ao longo do tempo, no Twitter, ficou bastante latente: o perfil de Alckmin é o que mais fez ataques a adversários, concentrado nos petistas e em Bolsonaro, mas é o candidato do PSL quem mais recebe o suporte de uma rede de apoiadores para fazer críticas a Lula/Haddad, Alckmin e, ainda, Marina Silva e Ciro Gomes. Bolsonaro e os filhos Eduardo, Carlos e Flávio fizeram 148 referências aos rivais — e foram os únicos a dedicar volume maior de postagens a Ciro, já em setembro, quando o candidato do PDT apresentou melhora nos resultados das pesquisas eleitorais.

Já a dupla Lula/Haddad, principalmente o ex-presidente, foi quem mais recebeu comentários dos demais: foram destacados 120 vezes no período, principalmente em tuítes de Alckmin (30 vezes) ou feitos pela família de Bolsonaro (53 vezes). Os filhos do deputado federal citaram o candidato do PSDB 29 vezes, contra 13 referências a Marina e outras 13 a Ciro. Alckmin é recíproco na regularidade em que fala de Bolsonaro no Twitter, mencionando-o 24 vezes; de outro lado, não fez críticas a Marina no período, e só falou de Ciro quatro vezes.

Tanto o pedetista quanto a candidata da Rede têm se mantido afastados do eixo central de ataques na rede, mobilizado por Lula/Haddad-Alckmin-Bolsonaro. Marina só foi citada pelos rivais 16 vezes, e Ciro, 19. Ambos usam menos a plataforma para criticar adversários: Marina e seus influenciadores aliados — o cineasta Fernando Meirelles, Eduardo Jorge, candidato a vice, e o ex-porta-voz da Rede, Zé Gustavo — fizeram 31 citações a adversários, com fogo concentrado sobre Bolsonaro, especialmente em função do embate que a candidata teve com o deputado do PSL no debate da Rede TV!. Ciro e seus aliados (a candidata a vice Kátia Abreu, a ex-ministra da Cultura Ana de Hollanda e o candidato a deputado estadual pelo PDT, Túlio Gadelha) foram ainda mais raros nas menções a rivais: apenas 17 vezes.

Também é interessante ressaltar que as contas oficiais de Lula e de Haddad focaram posts críticos em Alckmin (ou ao PSDB) desde o começo da campanha. Os influenciadores do PT, a ex-presidente Dilma Rousseff e a candidata a vice Manuela D´Ávila, também falaram sobre Alckmin, Bolsonaro e Marina. Os influenciadores tucanos (a candidata a vice Ana Amélia Lemos, o candidato ao governo de São Paulo João Doria e o candidato a deputado federal José Aníbal) foram os aliados mais discretos ao citar rivais na rede: apenas oito menções.

Ataques no Facebook

Entre 1° julho e 16 agosto, os mesmos cinco presidenciáveis mais bem posicionados nas pesquisas de intenção de voto — Ciro Gomes, Fernando Haddad, Geraldo Alckmin, Jair Bolsonaro e Marina Silva — publicaram, juntos, 1.894 posts no Facebook. Destes, cerca de 10% foram referências a outros atores, como correligionários, partidos políticos e artistas.

Haddad foi o presidenciável que mais mencionou outros atores: foram 35 postagens que traziam, em sua maioria (27), o apoio de políticos e personalidades do país em relação à chapa de Haddad e ao plano de governo encabeçado por Lula — 18 posts respaldam a campanha em prol da liberdade do ex-presidente petista. Entre os atores citados estão Flávio Dino (PC do B), Ricardo Coutinho (PSB), João Azevêdo (PSB), Jaques Wagner (PT), Wellington Dias (PT), o nobel da paz Adolfo Pérez Esquivel, o diplomata Celso Amorim, e os cantores Gilberto Gil e Chico Buarque. Em menor quantidade (7), Haddad fez críticas ao governo Temer e sua aliança com o PSDB.

O segundo ator que mais publicou mensagens do tipo foi Jair Bolsonaro, e o presidenciável foi quem mais criticou outros atores: foram 24 postagens negativas contra 9 publicações de apoio. Bolsonaro criticou, sobretudo, o PSDB e o PT, afirmando que o país não quer mais quatro anos de governos encabeçados por esses partidos. Também depreciou dois ex-presidentes: Lula, por sua prisão e ética, e Fernando Henrique Cardoso, por sua suposta tentativa de unificar partidos contra a sua candidatura. As postagens de apoio, por sua vez, repercutiram aprovação da candidatura por outros atores, como o cantor Roger Moreira, da banda Ultraje a Rigor, o escritor Olavo de Carvalho e a empresa Havan. Apenas dois políticos foram mencionados positivamente: seu filho e deputado federal, Eduardo Bolsonaro (PSL), e o senador Magno Malta (PR).

Ciro Gomes, por sua vez, atacou menos outros atores em seu Facebook. De 25 publicações, 19 foram mensagens de apoio, em sua maioria a correligionários espalhados pelos Estados do país, como Roberto Requião (MDB), Nelton Friedrich (PDT) e Renato Casagrande (PSB). Houve, ainda, 3 menções positivas a Jair Bolsonaro, em solidariedade pelo atentado sofrido pelo candidato do PSL no início de setembro. Já as críticas de Ciro se concentraram em Alckmin e seu partido, o PSDB, por escândalos de corrupção, e na revista Veja, por supostos ataques a sua candidatura.

O PT foi mencionado pelo pedetista em tom neutro: se posicionando contra as supostas injustiças sofridas pelo ex-presidente, mas defendendo sua não candidatura ao pleito, e descrevendo suposta instabilidade do partido em relação à candidatura de Marília Arraes (PT) em Pernambuco. Além disso, o presidenciável publicou duas mensagens não relacionadas a candidatos: uma felicitando o cantor Caetano Veloso, seu apoiador, por seu aniversário, e outra repercutindo declaração de voto a seu favor do também cantor Tico Santa Cruz.

Marina Silva concentrou suas postagens negativas, principalmente, em Jair Bolsonaro, contrapondo falas do candidato e criticando seu posicionamento em relação a mulheres e a segurança. Houve, ainda, críticas a Alckmin e suas alianças com o centrão, bem como uma negação de partidos tradicionais como o PT e o PMDB. Já em tom de apoio, a candidata mencionou 5 personalidades, como Maitê Proença e Marcos Palmeira, que declaram apoio a sua campanha, e demonstrou apoio a correligionários, como o candidato ao senado Miro Teixeira (Rede) e ao vice de sua chapa, Eduardo Jorge (PV).

As postagens negativas de Geraldo Alckmin também focaram, sobretudo, em Jair Bolsonaro, principalmente em questões ligadas à segurança e ao debate sobre o porte de arma; houve, também, críticas ao PT, com Alckmin se colocando como a principal alternativa contra o partido que, segundo ele, “quebrou” o Brasil. Entre as menções de apoio, houve destaque para postagens sobre sua companheira de chapa, Ana Amélia Lemos (PP), e para declarações de apoio aos partidos aliados.

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Notas

[1] Definidos em parceria com a BBC Brasil, que publicou matéria sobre os dados nesta terça: https://www.bbc.com/portuguese/brasil-45634352.