26 jul

Alianças partidárias provocam debate sobre contribuição sindical

Tema foi impulsionado por declarações de Alckmin que ora afirmou que poderia rever acordos da Reforma Trabalhista, ora disse que concentrará esforços para aprovar outras reformas

Atualizado em 27 de julho, 2018 às 3:31 pm

Os últimos acontecimentos em torno do presidenciável Geraldo Alckmin fizeram com que ele fosse o mais citado no debate econômico, superando até mesmo o ex-presidente Lula, figura que usualmente lidera o número de menções, mostra nova edição do DAPP Report – A semana nas redes. O anúncio de apoio do Centrão a Alckmin e os desdobramentos das discussões que fecharam o acordo contribuíram com o alto volume de menções ao candidato, gerando um pico na sexta-feira (20) e outro entre segunda-feira (23) e terça-feira (24).

>> Confira a íntegra do DAPP Report

Sobre o primeiro momento, destaca-se a reação positiva do mercado financeiro ao anúncio de apoio do Centrão a Alckmin. Os apoiadores aproveitaram o fato para exaltar o papel pró-mercado do presidenciável, ainda que a movimentação na bolsa de valores estivesse mais associada a movimentações exteriores, principalmente relacionadas às manifestações de Trump contra a alta dos juros americanos.

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No entanto, uma tensão sobre a possibilidade de volta da obrigatoriedade do imposto sindical predominou nas discussões econômicas relacionadas ao pré-candidato, após declarações contraditórias entre sexta e terça-feira, que evidenciaram a falta de uma posição definitiva de Alckmin sobre o assunto, repercutindo fortes críticas de seus apoiadores. O candidato ora afirmou que poderia rever acordos da Reforma Trabalhista, ora disse que concentrará esforços para aprovar outras reformas.

Esse assunto só foi encerrado após sua declaração no programa de TV “Roda Viva” na segunda-feira (23), onde voltou a defender a existência de uma contribuição voluntária e afirmou que a decisão sobre o imposto sindical é um critério que deve ser definido pelos próprios trabalhadores. Além disso, o anúncio da possível criação de um “marco regulatório sindical” que prevê a reorganização e a diminuição do número de sindicatos, repercutiu entre os usuários, mas deixou dúvidas se existe um apoio claro em relação a isso.

Em relação a Bolsonaro, também repercutiram suas declarações sobre economia, durante convenção partidária que oficializou sua candidatura pelo PSL. Em discurso que reforça sua agenda liberal, o candidato mencionou principalmente o foco na privatização das estatais, sem dar mais detalhes de seu plano econômico. Esse assunto acaba sempre repercutindo positivamente entre seus apoiadores, que também gostaram da fala do economista e coordenador do programa econômico do candidato Paulo Guedes, que focou na defesa de que, para governar bem, não é preciso saber sobre economia.

As menções a Ciro Gomes arrefeceram nesta última semana, ainda que as declarações sobre seu plano econômico tenham repercutido pontualmente. O candidato anunciou que entre suas prioridades está o combate à volta da fome, a criação de programas de renda mínima a idosos e programas de geração de emprego. Sem o apoio do Centrão, o candidato passou a focar em um discurso fortemente popular em uma tentativa de atrair apoio de eleitores de esquerda. Seus apoiadores criticaram exatamente essa mudança de tom nos discursos e deixaram clara a insatisfação com a postura volúvel do candidato.