25 set

Candidatos a vice-presidente geram 826 mil tuítes em 10 dias

Debate sobre Manuela, vice mais citada, é impulsionado por definição de chapa do PT e por discussão sobre participação de mulheres na política; Mourão ganhou destaque com fala que relaciona criação de filhos em lares sem figuras masculinas à entrada de jovens no crime

Atualizado em 25 de setembro, 2018 às 5:52 pm

A composição das chapas de presidenciáveis ganhou relevância nas eleições deste ano, tendo como pautas, especialmente, a formação de alianças e acenos para eleitorados específicos. No Twitter, esse processo se reflete na inclusão frequente dos candidatos à vice-Presidência na agenda de debates sobre o pleito. Levantamento feito pela FGV DAPP, mostra que, entre 11 e 20 de setembro, os postulantes a vice das cinco chapas mais bem colocadas nas pesquisas de intenção de votos mobilizaram 826,4 mil menções na rede.

A coleta dos dados parte da oficialização da candidatura de Fernando Haddad — momento em que Manuela D’Ávila também passou, de fato, a integrar a chapa petista. A deputada gaúcha foi a candidata a vice mais citada nos tuítes coletados: foram 399 mil referências, que trazem a questão do feminismo como um ponto de destaque e associam seu nome à reivindicação por uma maior participação de mulheres na política.

As postagens mais retuitadas sobre a candidata do PC do B, entretanto, centram-se na sua escolha para a composição da chapa petista, de forma positiva. Elogia-se Manuela em contraposição à escolha de Kátia Abreu por Ciro Gomes, decisão vista negativamente por alguns setores da esquerda. A candidata a vice na chapa do PDT — que foi a terceira mais citada no período (77,6 mil menções) — é relacionada, em tom crítico, a temas como agronegócio, desmatamento e conflitos com indígenas.

Em segundo lugar no ranking de menções aos vices no Twitter, com 339,4 mil referências, o general Hamilton Mourão, companheiro de chapa de Jair Bolsonaro, é majoritariamente criticado por uma fala em que relaciona a criação de filhos em lares sem figuras masculinas à entrada de jovens no crime. Outras publicações, ainda que em menor número, concordam com a declaração do general e o elogiam pela postura em entrevistas.

Vale destacar, ainda, tuítes que questionam os interesses de Mourão ao se candidatar à Vice-Presidência, sugerindo que ele possa estar planejando um “autogolpe”, a partir de uma suposta discordância em relação aos rumos da campanha, com Bolsonaro se recuperando do atentado no início do mês. Por outro lado, a hashtag #vempraruaMourão, presente em 1,9% dos posts, refere-se, positivamente, à agenda da chapa, agora cumprida pelo vice.

Com 23,8 mil menções, Ana Amélia é criticada, nas postagens mais retuitadas sobre ela, por ter aceitado compor a chapa de Geraldo Alckmin, o que teria significado, para esses perfis, uma aliança com partidos corruptos. Também se destacam referências que ironizam a divisão do PP, partido da candidata, no Rio Grande do Sul, seu estado, após as declarações de apoio a Bolsonaro pelo candidato ao Senado Luis Carlos Heinze. Tuítes de Ana Amélia sobre agendas de campanha e entrevistas também tiveram repercussão, com hashtags como #anaamélianajovempan (2,2%) e #anaamélianocanalrural (0,9%) entre as mais mencionadas.

Eduardo Jorge, por fim, está presente em cerca de 20 mil publicações. As postagens mais retuitadas sobre ele partem de seu próprio perfil e da conta de Marina Silva. De modo geral, outras referências ao candidato a vice se dividem entre elogios, que o classificam como um nome preparado, mas, por vezes, injustiçado, e publicações em tom de brincadeira que o relacionam ao uso de drogas.

Evolução das menções aos candidatos à vice-Presidência no Twitter

E sobre o que falam os vices?

A análise também coletou os tuítes publicados pelos perfis oficiais dos principais candidatos a vice, excetuando-se o general Mourão, que não possui conta nesta rede social. Foram identificados 230 tuítes no perfil de Manuela D’Ávila; 91 no de Kátia Abreu; 57 no de Ana Amélia; e 55 no de Eduardo Jorge.  

Manuela D’Ávila também é a candidata que mais fez postagens durante o período analisado. Entre os principais temas de sua agenda na rede social estão atividades de campanha e a divulgação de programas das administrações petistas anteriores, como o Mais Médicos e a Bolsa Família. O Prouni aparece com frequência em seus posts quando rememora sua atividade como vice-presidente da UNE e as ações desenvolvidas por Haddad quando era Ministro da Educação do governo Lula.

Kátia Abreu tem o segundo maior número de publicações dentre os vices na rede, onde faz duras críticas tanto a Haddad quanto a Bolsonaro e seu vice, general Mourão. De maneira geral, a senadora argumenta que Ciro seria capaz de unir o país em torno de “um projeto de nação” progressista, superando a polarização que “gera prejuízos à população”. Ela também aborda recorrentemente o tema da agricultura em resposta às críticas sofridas por perfis que a associam ao agronegócio. Em algumas postagens, Kátia Abreu diz que apoia a reforma agrária e se coloca a favor da demarcação de terras. Afirma, ainda, que o jornalismo teria preconceito com o agronegócio.

Ana Amélia, por sua vez, tem direcionado sua atuação para o diálogo com o setor rural, sendo esta uma de suas audiências principais no Twitter. Como propostas, sinaliza que uma gestão protagonizada por Alckmin manteria as políticas de subsídios para o agronegócio e incentivaria o setor. A vice na chapa tucana também procura reforçar a sua contraposição aos candidatos mais bem colocados nas pesquisas, seguindo a estratégia de Alckmin nas últimas semanas. Com comentários gerais sobre o PT, Ana Amélia faz referência a Alckmin como sendo o único candidato capaz de derrotar o partido no segundo turno. Em relação a Bolsonaro, ela chama a atenção para seu comportamento considerado “machista”.

Com o menor número de publicações entre os candidatos analisados, Eduardo Jorge teve como agendas principais no Twitter a campanha a favor do grupo de Facebook “Mulheres Contra Bolsonaro” no Facebook, que foi invadido no dia 15, além de sua própria atuação no campo da saúde quando era deputado federal. Ele também cita frequentemente Marina Silva como a candidata da “paz” e da “superação da polarização” e postou algumas vezes a #ElaSim, que opõe Marina a Bolsonaro. Entre as suas publicações com mais repercussão está uma em que critica a visita do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, a um restaurante de luxo na Turquia, associando-o aos governos do PT e aos demais candidatos da esquerda – o post teve cerca de 4 mil interações entre retuítes, comentários e compartilhamentos.