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Bolsonaro tem seis vezes mais referências que Haddad no Twitter

Enquanto referências a Bolsonaro foram especialmente motivadas pelos movimentos #elenão e #elesim, Haddad teve uma discussão impactada por divulgação de delação de Palocci com acusações de corrupção ao PT

Atualizado em 4 de outubro, 2018 às 10:26 am

Com a proximidade do 1º turno e as manifestações do fim de semana, as menções a Jair Bolsonaro cresceram no Twitter, mantendo o volume diário superior a 1 milhão desde sexta-feira (28). Na última semana (entre 25 de setembro e 1º de outubro), o candidato do PSL foi o presidenciável mais mencionado na rede social, com 9,2 milhões de referências. O volume é superior em mais de seis vezes ao do segundo candidato mais citado, Fernando Haddad, que teve cerca de 1,5 milhão de referências.

As discussões sobre os dois presidenciáveis, no entanto, são alimentadas pela polarização que representam nestas eleições e impulsionadas não apenas por menções de apoio, mas também fortemente críticas. Enquanto as referências a Bolsonaro foram especialmente motivadas pelos movimentos #elenão e #elesim, Haddad teve uma discussão impactada pela divulgação da delação de Antonio Palocci com acusações de corrupção ao PT.

Evolução de menções sobre os presidenciáveis no Twitter – 25.set a 01.out

Tal polarização entre os usuários contrários a Bolsonaro e os partidários do antipetismo acabou mobilizando também menções a Ciro Gomes (1,2 milhão de referências no período) e a Geraldo Alckmin (489 mil), em um debate sobre o que poderia ser uma “terceira via”. O candidato do PDT é bastante citado como opção de voto “não polarizado”, enquanto Alckmin é criticado por usuários que gostariam de votar no PSDB, mas não o enxergam como uma possibilidade viável.

A linha de evolução dos candidatos por dia aponta que as menções a Bolsonaro cresceram no fim de semana — processo relacionado às manifestações dos movimentos #elenão e #elesim que tomaram as ruas do Brasil e de diversas cidades pelo mundo e que acirraram ainda mais a polarização das redes sobre a corrida eleitoral. Entre os tuítes de apoio ao presidenciável, muitos afirmam que a imprensa censurou as manifestações do #elesim, além de comemorarem a sua saída do hospital. Já entre os críticos, destacam-se aqueles que compartilham imagens das manifestações e relatam experiências dos participantes, com palavras de ordem contra o candidato. Além disso, são recorrentes memes que ironizam suas falas e posturas “agressivas” e publicações que questionam sua defesa da família, uma vez que foi casado mais de uma vez.

Já Haddad foi mais mencionado na segunda (01). Entre as publicações mais retuitadas neste pico, estão principalmente críticas ao petista, que afirmam que o candidato seria, na verdade, um “laranja” de Lula, e que, com o ex-presidente no “comando”, Dilma no Senado e outros aliados no Judiciário, o PT voltaria a dominar o país. A delação de Antonio Palocci foi destacada como “prova” da corrupção na candidatura petista. Outras postagens afirmam que o crescimento de Haddad nas pesquisas de intenção de voto seria fruto de uma fraude e elogiam as críticas feitas a ele pelo candidato Cabo Daciolo, durante debate na Record TV. Por outro lado, Haddad é elogiado como boa opção contra Bolsonaro e aparece, ainda, em tuítes que desejam um 2º turno entre o petista e Ciro Gomes.  

O candidato do PDT, terceiro mais citado no Twitter, registrou debate mais aquecido também na segunda (01). A maioria dos tuítes de maior repercussão na rede abordam o candidato como uma opção viável para o que seria uma terceira via — nem Bolsonaro, nem PT. Tais tuítes por vezes usam memes como forma de atrair outros eleitores indecisos. Entre as postagens críticas destacam-se as que afirmam que o candidato teria chamado os moradores do Sul do Brasil de nazistas e as que o classificam como machista.

Alckmin variou pouco, ao longo da semana, com aumento pontual no domingo (30) e destaque para tuítes que o criticam ora por ações ao longo de sua carreira (especialmente supostos desvios de verbas e ações agressivas da PM em São Paulo), ora por uma certa falta de ação na corrida eleitoral, o que o desqualificaria como terceira via. Já Marina, candidata menos citada no Twitter entre os cinco primeiros nas pesquisas de intenção de votos (366 mil menções), voltou a crescer no dia 1º, principalmente em função de críticas a uma suposta declaração em que teria dito que Bolsonaro não foi ao último debate porque está com medo.

Facebook

O crescimento do volume de interações nas páginas oficiais de Jair Bolsonaro (56,2%) e de Ciro Gomes (65,4%) capitanearam o aumento do volume total de interações dos cinco presidenciáveis com maior intenção de votos nas últimas pesquisas. Foram 9,6 milhões de comentários, reações e compartilhamentos, valor 28,8% maior do que nos sete dias anteriores.

Bolsonaro registrou crescimento expressivo a partir de sexta-feira (28) com pico na segunda (01), motivado majoritariamente pela transmissão ao vivo realizada pelo candidato e por seu filho. Dividida em duas partes, a transmissão teve cerca de dois milhões de visualizações e mais de cem mil compartilhamentos em cada um dos vídeos. Em média, Bolsonaro mobilizou 137,6 mil interações por publicação em sua página no período de análise.

Já Haddad manteve um volume de interações mais constante, com elevação pontual no domingo (30), em razão de postagens sobre o debate na TV Record, vídeos com mensagens do candidato e agendas na região Norte e o compartilhamento da carta do ex-presidente Lula para a militância. Com elevado número de publicações, o petista registrou média bem mais baixa que Bolsonaro: 8,9 mil interações por post.

Engajamento nas páginas dos presidenciáveis – 25.set a 01.out

Ciro Gomes, que saltou da 5ª para a 3ª posição, na comparação com os 7 dias anteriores, registrou aumento no volume de interações em três momentos. O primeiro, na quarta (26), deve-se principalmente a publicações sobre seu estado de saúde e sobre sua participação no debate do SBT. No sábado (29), nova elevação foi registrada, em associação a comentários do candidato sobre Bolsonaro e sobre as manifestações contra ele, além de diversas postagens voltadas para o eleitorado feminino. No dia 1º de outubro, por sua vez, foram as publicações sobre o debate da TV Record e os vídeos de apoio de artistas, como o ator Nicolas Prattes, que aqueceram o engajamento em sua página. Ciro alcançou média de 8,2 interações por post.

Marina Silva também ganhou uma posição, passando ao 4º lugar em engajamento entre as páginas dos cinco presidenciáveis com maior intenção de voto no Facebook. Com poucos pontos significativos de elevação, Marina teve maior volume de interações no dia 1º, com posts que recordavam casos de corrupção, destacavam a delação do ex-ministro Antonio Palocci e que traziam mensagens de artistas que apoiam a candidatura, além de publicações de vídeos de campanha e de agendas da presidenciável. Foram registrados, em média, 6,8 mil reações, comentários e compartilhamentos por publicação na página de Marina.

Alckmin foi o candidato que mais perdeu interações em sua página do Facebook — uma queda de 49,1% em relação aos sete dias anteriores a este estudo. A redução levou o tucano da 3ª para a última posição neste ranking. A página do presidenciável registrou, em média, 3,8 mil interações por post.