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Confrontos e temática de gênero dão tom no 2º debate presidencial

Evento transmitido pela RedeTV! mobilizou 619 mil de menções aos candidatos em 3h; confrontos entre os candidatos se destacam, especialmente entre Bolsonaro e Marina

Atualizado em 23 de agosto, 2018 às 11:13 am

O segundo debate presidencial de 2018, promovido pela RedeTV! na sexta-feira (17), gerou 619.086 publicações no Twitter sobre os candidatos entre as 22h de sexta (17) e a 01h de sábado (18), evento que manteve a hashtag #debateredetv entre os trending topics mundiais durante toda a transmissão. Participaram da discussão os mesmos candidatos do primeiro debate: Alvaro Dias (Podemos), Cabo Daciolo (Patriota), Ciro Gomes (PDT), Henrique Meirelles (MDB), Jair Bolsonaro (PSL), Geraldo Alckmin (PSDB), Guilherme Boulos (PSOL) e Marina Silva (Rede).

O ex-presidente Lula, apesar de não estar presente, foi mencionado durante as discussões, em especial sobre a decisão da maioria das candidaturas em retirar o púlpito do cenário — fato que repercutiu na rede.

Menções aos candidatos

Fonte: Twitter | Elaboração: FGV DAPP

O volume de menções ao segundo debate no Twitter segue impulsionado pelas hashtags oficiais das emissoras, presentes em 1 a cada 3 publicações — proporção semelhante ao debate anterior. Ao todo, #debateredetv foi citada em 229.903 postagens. Entre as hashtags promovidas pelos presidenciáveis, as mais populares foram associadas a Jair Bolsonaro, como #bolsonaropresidente17, #votobolsonaro17 e #jairmessiasbolsonaro. Em seguida, vieram hashtags em apoio a Ciro (#cironaredetv) e Boulos (#boulosnaredetv).

Destacam-se também as hashtags #brasilacimadaonu e #mostraonuglobo, repercutindo a decisão do Comitê de Direitos Humanos da ONU de que o Brasil deve garantir os direitos políticos ao ex-presidente Lula. Por um lado, #brasilacimadaonu foi mobilizada por perfis contrários à decisão, reproduzindo fala de Bolsonaro sobre a retirada do Brasil do conselho durante evento em Campina Grande, em junho deste ano. Já #mostraonuglobo apoia a liberdade de Lula e questiona a suposta falta de cobertura do caso pela grande mídia.

Menções às hashtags

Fonte: Twitter | Elaboração: FGV DAPP

Enquanto o primeiro debate foi marcado por memes e ironias associadas a Cabo Daciolo, no segundo, os usuários se interessam mais pelo embate de ideias e pelas discussões entre os presidenciáveis. O confronto entre Marina e Bolsonaro foi o mais discutido, repercutindo a “bronca” da candidata e sua defesa pela laicidade do Estado. Ao todo, foram mais de 111,2 mil publicações sobre o caso, 18% do total de referências aos presidenciáveis no debate. Enquanto os perfis conservadores criticaram Marina pela proposta de plebiscito sobre a legalização do aborto, os progressistas elogiaram a candidata pela reafirmação de princípios democráticos e pela firmeza de postura ao dialogar com Bolsonaro.

As menções a Lula foram motivadas pela polarização de opiniões sobre sua ausência no debate e pela decisão das candidaturas em retirar o púlpito vazio com o nome do ex-presidente. Alguns perfis também questionaram as falas dos presidenciáveis sobre Lula, especialmente as críticas de Marina e o apoio de Boulos. Destacou-se ainda repercussão de suposta imagem da mão de Bolsonaro, atribuída a uma “cola” com os temas a serem discutidos: “pesquisas”, “lula” e “armas”.

As menções a Cabo Daciolo seguem o teor irônico do primeiro debate, atribuídas aos bordões do candidato, como “nação brasileira” e “nova ordem mundial”. Os usuários também comentaram sobre a falta de preparo do presidenciável ao responder às perguntas.

Menções a temas

Fonte: Twitter | Elaboração: FGV DAPP

O confronto entre os candidatos também mobilizou os principais temas, trazendo gênero para a primeira posição, especialmente com os comentários de que Marina, mulher, tem mais autoridade para falar sobre ser mãe do que Bolsonaro, seguido por opiniões polarizadas sobre o aborto.

A pauta econômica repercutiu as falas dos presidenciáveis sobre alternativas para o desemprego. Enquanto perfis progressistas criticaram a viabilidade da proposta de Bolsonaro de que irá criar, caso eleito, dez milhões de empregos, os conservadores comemoraram a resposta de Henrique Meirelles a Guilherme Boulos de que foi responsável pela criação de empregos e não por invasão de propriedades.

O tema segurança foi motivado por postagens associadas a Jair Bolsonaro, como críticas à suposta incitação de violência e ironias às anotações na mão do candidato, além de postagens sobre seu plano de governo.