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Debate da Band teve baixa presença de robôs, mas ao menos uma notícia falsa em destaque

Perfis automatizados foram responsáveis por cerca de 3% do total de 643 mil retuítes sobre os presidenciáveis analisadas pela FGV DAPP

Atualizado em 24 de setembro, 2018 às 9:42 am

Atualização: A Agência Lupa, parceira da Sala de Democracia Digital, classificou como falsa a notícia de que o Twitter teria removido menções ao candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL) durante o debate na Band. Na primeira versão deste texto, publicada na sexta-feira (10/08) às 18h, a notícia constava como “não confirmada”

O primeiro debate presidencial, realizado pela Band nesta quinta-feira (09), teve baixa presença de perfis automatizados (cerca de 3% do total de interações) e pouco impacto de informações usadas pelos candidatos e consideradas “falsas” pela Agência Lupa — parceira da FGV DAPP na Sala de Democracia Digital – #observa2018. No entanto, pela primeira vez desde o início da pré-campanha, foi identificada uma notícia falsa entre os dez links com maior engajamento nas redes sociais, de autoria do site República de Curitiba, alegando que o Twitter “removeu” menções ao candidato Jair Bolsonaro.

Fonte: Twitter |Elaboração: FGV DAPP

O mapa de interações foi gerado a partir de 1,070 milhão de tuítes e 643 mil retuítes relacionados aos nomes dos presidenciáveis durante o debate, que deram origem a 6 campos políticos. O principal núcleo da rede, com 35,2% dos perfis participantes da discussão, foi o maior mobilizador das piadas, ironias e comentários sobre as posturas dos presidenciáveis, em especial Bolsonaro e Daciolo. O núcleo de apoio ao deputado do PSL concentrou-se em azul (19,2% dos perfis), enquanto os perfis alinhados à esquerda e a Lula estão no grupo em vermelho, com 8,8% dos perfis.

O grupo em roxo, de maior inclinação à direita, reuniu 13,1% dos perfis e integra contas contrárias a Bolsonaro, partidários de Alckmin, influenciadores e defensores da participação de João Amoêdo no debate. Em rosa claro (17%) e laranja (3,6%), dois grupos ligados à esquerda, mas não integrantes do núcleo que interage diretamente com os petistas, se caracterizam pela oposição a Bolsonaro (sem apoio a nenhuma candidatura), no caso do grupo rosa claro, e pela adesão a Ciro Gomes (laranja), que engajou referências positivas.

Análise de perfis automatizados

Fonte: Twitter |Elaboração: FGV DAPP

A análise identificou cerca de 3% de interações influenciadas por perfis automatizados (os chamados robôs), um nível considerado baixo em comparação com outros momentos políticos recentes. Em análise da FGV DAPP sobre os presidenciáveis publicada no fim de julho, por exemplo, esse índice chegou a 22% em cada um dos principais campos. As duas análises são feitas com base em metodologia desenvolvida pela FGV DAPP e que pode ser conferida na seção de metodologia da Sala de Democracia Digital – #observa2018.

Fonte: Twitter |Elaboração: FGV DAPP

Informações “falsas” dos candidatos

Segundo a Agência Lupa, foram identificadas oito informações utilizadas pelos candidatos no debate que podem ser consideradas falsas. A FGV DAPP, ao analisar o impacto dessas informações, encontrou destaque para o tema do desarmamento no debate sobre Bolsonaro, seguido pelo voto impresso nas menções ao Cabo Daciolo. De modo geral, os usuários repercutiram os assuntos abordados pelos candidatos, sem tomar como argumento os dados específicos apresentados. A exceção foi a acusação feita por Ciro à mulher do juiz Sérgio Moro – falha assumida pelo próprio candidato ainda durante o debate. Entre os tuítes mais repercutidos a respeito desse apontamento, aparece o pedido de desculpas do candidato pedetista no final.

A discussão que envolve Marina Silva e saneamento básico, por exemplo, pautou-se mais pela reclamação de que a candidata teria falado exaustivamente sobre o tema do que pela divulgação incorreta do percentual de casas com acesso à infraestrutura adequada. A declaração de Meirelles sobre os venezuelanos foi comentada em função de sua posição sobre o fechamento de fronteiras. Também se destacaram críticas ao regime venezuelano.

Outro tema de destaque foi a afirmação de Daciolo sobre Ciro Gomes integrar o Foro de São Paulo e a “Ursal”, que mobilizou 80,4 mil menções. Entre os tuítes com maior repercussão, aparece uma crítica feita pelo apresentador e jornalista, Danilo Gentili, ao comportamento possivelmente controverso do candidato (4,3 mil retuítes). Ironias e piadas sobre o assunto também foram bastante difundidas. No entanto, houve também quem tenha levado a sério o comentário de Daciolo como, por exemplo, alguns perfis que repercutiram a expressão do candidato no momento da interpelação, o que engajou aproximadamente 6 mil interações.

Volume de menções no Twitter às informações consideradas “falsas” pela Agência Lupa

Fonte: Twitter | Elaboração: FGV DAPP

Notícia falsa

Porém, a análise realizada pela FGV DAPP em parceria com a agência de fact-checking Lupa identificou pela primeira vez desde o início da pré-campanha a presença de uma notícia falsa entre os dez links com maior repercussão no Twitter e Facebook entre 12h de quinta (09) e 12h de sexta (10). Trata-se de texto do site República de Curitiba, alegando que o Twitter teria removido menções a Bolsonaro. A suposta remoção de hashtags de apoio a Bolsonaro também repercutiu no Twitter, ainda que não a partir do link mencionado.

“O argumento desses sites era de que, deliberadamente, o Twitter teria feito o nome de Bolsonaro desaparecer da lista dos assuntos mais comentados da rede social. O problema é que a imagem usada para sustentar essa afirmação não é da lista dos “Trending Topics”, e sim da lista de assuntos recomendados para cada usuário. De acordo com o Twitter, a lista dos “assuntos para você” é elaborada por um algoritmo que leva em consideração a localização dos usuários e os assuntos comentados pelos perfis com os quais ele mais interage. Ou seja: não diz respeito ao que está sendo mais comentado no Twitter, de uma forma geral – são apenas sugestões personalizadas para cada conta na rede social.”, aponta análise da Lupa.

Foram mais de 32 mil referências, entre as quais destacam-se reclamações pela “derrubada” das postagens. A publicação mais retuitada partiu do perfil do próprio pré-candidato e teve 7,7 mil republicações.

Fonte: Facebook e Twitter | Elaboração: FGV DAPP

Debate gerou 1,6 milhão de menções em 3h

No total, o debate gerou 1,59 milhão de publicações no Twitter sobre os candidatos apenas entre as 22h de quinta (09) e a 01h de sexta (10), com a hashtag #DebateBand no trending topics mundial. Entre as hashtags, #debateband (572 mil menções), #bolsonaronaband (209 mil) e #estoucombolsonaro (177 mil) tiveram maior volume. E, para além de menções irônicas, piadas e comentários de tom opinativo sobre os presidenciáveis e suas posturas (ampla maioria da repercussão), corrupção, economia e segurança voltaram a se destacar.
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