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Debate influenciado por robôs chega a 10,4% no Twitter

Menções a Bolsonaro e Haddad caem 38%, e acusações entre os candidatos dominam debate; Temas como Reforma da Previdência, empregos e impostos mobilizam comentários

Atualizado em 19 de outubro, 2018 às 6:28 pm

A polarizada disputa presidencial deste ano, de sucessivos eventos de altíssima repercussão nas redes sociais, vem se definindo como o acontecimento de maior impacto da internet no Brasil. Desde o começo de outubro, contam-se cerca de 45 milhões de tuítes sobre os candidatos à Presidência — volume não visto em nenhum outro fato político do país na web. Diariamente, o debate sobre Jair Bolsonaro e Fernando Haddad apresenta soma superior a 1,5 milhão de postagens, em média, e com contínua tendência de crescimento, conforme se aproxima o segundo turno.

>> Confira a íntegra do DAPP Report – A semana nas redes

Evolução de menções no Twitter aos presidenciáveis – 11.out a 17.out

Sob esse cenário, a atuação de robôs em ambos os lados, que havia caído desde o fim de setembro, aumentou de novo, tanto em proporção do debate quanto em volume absoluto de retuítes feitos por contas automatizadas. Entre quarta-feira, 10 de outubro, e esta terça (16), houve 852,3 mil publicações de robôs; a base de apoio a Bolsonaro respondeu por 602,5 mil destes, e o grupo pró-Haddad por 240,2 mil.

Enquanto isso, no Facebook, o candidato do PSL continua com um abismo de vantagem para o petista, que aumentou atividade na rede e tem ganhado maior engajamento. No entanto, com dificuldades para, às vésperas da votação, reduzir o apoio maciço que consolidou Bolsonaro em vantagem ampla nas pesquisas de opinião.

Engajamento nas páginas os presidenciáveis – 11.out a 17.out

Mapa de interações no debate via Twitter

Entre os dias 11 e 16 de outubro, foram coletados 10.996.720 tuítes e 8.223.939 retuítes sobre os presidenciáveis. A partir de tais dados, foi criado um mapa de interações em que é possível observar quatro principais grupos em debate. Dentro dessa discussão, foram identificadas de acordo com a metodologia da FGV DAPP 3.989 contas automatizadas, que geraram 852.335 interações, e que foram excluídas para a análise apenas do debate orgânico. As contas automatizadas representaram 0,5% dos perfis no debate sobre os presidenciáveis e foram capazes de gerar 10,4% das discussões, cerca de 5 pontos percentuais a mais do que na análise da semana passada.

Evolução da interação de robôs no debate sobre presidenciáveis

O grupo azul, de apoio a Bolsonaro, foi o que teve o debate mais influenciado por tais contas, com 13,8% das interações do grupo provocadas por robôs — do total das interações feitas por robôs em todo o grafo, 70,7% foi no campo azul. O grupo vermelho, de apoio a Haddad, por sua vez, teve 7,7% de sua discussão influenciada por contas automatizadas. Das discussões feitas pelos robôs, 28,2% foram no grupo vermelho. Os demais grupos (rosa e lilás) sofreram menos impacto de contas ilegítimas, com apenas 0,8% e 2,9% de interações de robôs, respectivamente.

Grupo Vermelho
O grupo de apoio a Haddad passou a ser nesta semana o maior em número de perfis (39,6%), mas é o segundo em termos de interações (39,4%). De maneira geral, os principais influenciadores do grupo são alinhados à esquerda, como o perfil do PT, e, entre as principais publicações, pedem a realização de um debate entre os dois candidatos e criticam Bolsonaro por se negar a participar. Outro tema comentado são notícias falsas que são atribuídas pelo grupo a Bolsonaro e seus eleitores. Os perfis também fazem associações entre o discurso nazista e o proferido pelo candidato do PSL, além de enfatizarem o apoio recebido pelo candidato por parte do grupo supremacista branco Ku Klux Klan.

Grupo Rosa
Durante grande boa parte do 1º turno como grupo majoritário, o grupo rosa — que reúne perfis críticos a Bolsonaro, mas sem alinhamento partidário — apresentou um esvaziamento e uma migração grande de parte de seus membros para outros grupos. Na última semana, o grupo (29,9% dos perfis e 8,3% das interações) usou um tom irônico, com memes e piadas, para falar do cenário político. Os perfis também criticam Bolsonaro por não participar de debates e dizem que suas opiniões são preconceituosas.

Grupo Azul
Base de apoio a Bolsonaro, o grupo azul (24,8% dos perfis e 51,1% das interações) permanece como o que mais gera debate e com o próprio candidato como seu principal influenciador. Na última semana, porém, o tuíte mais retuitado pelo grupo foi do apresentador Danilo Gentili, que critica Manuela D’Ávila, vice de Haddad, por ter ido a uma missa apesar de antes se dizer oprimida por não ser cristã. As postagens de Bolsonaro, por sua vez, dizem Haddad é um fantoche de um “corrupto preso”, e que o país não pode ser comandado de dentro da cadeia. O candidato também critica a mudança de cores da campanha do PT, e associa ao partido características de um governo autoritário.

Grupo roxo
Menor grupo no debate (2,1% dos perfis e 0,7% das interações), o lilás é formado por perfis que criticam tanto Haddad quanto Bolsonaro. O principal tuíte é de um perfil que diz entender quem vai anular o voto, e que é difícil compreender quem diz que ama o PT ou Bolsonaro. O grupo também elogia a colocação de Cid Gomes sobre a necessidade de autocrítica do PT e retuíta o pedido de Katia Abreu para que Haddad desista da disputa para que Ciro Gomes possa “vencer o fascismo”.

O debate econômico

O volume de publicações do debate econômico referente a Bolsonaro e Haddad caiu à metade na última semana, após o expressivo pico de menções ocorrido com o resultado do primeiro turno. De forma geral, o debate foi disperso em relação aos dois candidatos, com foco em críticas às propostas econômicas mas não se concentrando em nenhum tema específico. Bolsonaro teve queda mais forte, quase 67% em relação à semana passada.

O que mais repercutiu sobre o candidato foi a entrevista que deu ao SBT e a fala, que foi elogiada pelos usuários, de que vai propor novas medidas para a Reforma da Previdência. Já a divulgação de um plano energético para geração de empregos, incluindo a possibilidade de construção de hidrelétricas de grande porte na Amazônia, também mobilizou comentários, que ficaram mais focados na expectativa da geração de empregos do que no provável impacto ambiental da medida.

Evolução de menções no Twitter no debate econômico –  11.out a 17.out

Haddad também apresentou queda, de 24%, no período. O debate repercutiu notícias que citam declarações sobre propostas econômicas do candidato e, também, tuítes do próprio Haddad. A promessa de que não manterá ninguém da equipe econômica de Temer, caso seja eleito, mobilizou comentários a seu favor, causando um pico de menções no dia 16. Por outro lado, as propostas relacionadas a impostos, como a de isenção do imposto de renda para quem ganha até cinco salários mínimos e a de que vai taxar grandes fortunas, geraram repercussão negativa. Também repercutiram sobre Haddad sua posição contra privatização e a especulação de quem seria o seu ministro da Fazenda, com comentários que comparam com a escolha feita pelo Bolsonaro para o mesmo cargo.