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Debate na Record TV mobiliza 1,1 milhão de tuítes

Bolsonaro é o candidato mais mencionado, seguido por Cabo Daciolo; Ciro é o terceiro candidato mais citado; Haddad perde protagonismo e debate a seu respeito é mobilizado por críticas

Atualizado em 1 de outubro, 2018 às 9:04 pm

Penúltimo encontro entre os presidenciáveis no primeiro turno, o debate promovido pela Record TV no domingo (30 de setembro) mobilizou 1,1 milhão de menções no Twitter em apenas quatro horas (das 21h de domingo à 1h desta segunda-feira — 1º de outubro). A repercussão acompanha o aquecimento das discussões nas redes sociais na reta final da campanha e, em comparação com os demais debates na televisão nestas eleições, perde apenas para o da Band, o primeiro realizado e que provocou 1,59 milhão de referências.

  Volume de menções aos candidatos no Twitter – 30/set (21h) até 01/out (1h)

Apesar de não estar presente, Jair Bolsonaro foi novamente o candidato mais citado no debate, somando 384 mil menções no período. As publicações mais compartilhadas foram mobilizadas pelo próprio candidato do PSL sobre o ataque sofrido no dia 06 de setembro, além de vídeos com as manifestações de rua mobilizadas por seus apoiadores no domingo (30). Perfis argumentaram que, mesmo não tendo participado, o presidenciável foi bastante citado pelo restante dos candidatos, especialmente Ciro Gomes e de Marina Silva, que questionaram a sua ausência. Os usuários também comentaram sobre a repercussão da imagem de Bolsonaro na imprensa e entre figuras internacionais, como a cantora Madonna, que fez postagem de apoio ao movimento #elenão. Repercutiram, ainda, o tuíte do Papa Francisco contra o armamento e as críticas de apoiadores do candidato à fala do pontífice.

Assim como no debate anterior, promovido por SBT/Folha/UOL no dia 26, Cabo Daciolo foi o segundo candidato mais citado, com 229,4 mil publicações. À 1h de segunda-feira (1), o número de publicações sobre o candidato do Patriota (97,1 mil) chegou a ultrapassar as menções a Jair Bolsonaro (72,5 mil), impulsionado por memes e interpretações humorísticas das falas de Daciolo, como de sua suposta vitória no primeiro turno com 51% dos votos. Também repercutiram as críticas de Daciolo sobre o sistema político brasileiro, que foram apoiadas por parte dos usuários. Algumas menções destacaram o tom combativo e “indignado” das palavras do candidato, outras ironizaram falas interpretadas como “teorias da conspiração”.

Ciro Gomes foi o terceiro presidenciável em número de postagens (159,7 mil) e teve um debate em torno da defesa de sua candidatura como terceira via diante da polarização política — um dos destaques no Twitter foi a repercussão de sua fala de que é a “segunda opção” dos eleitores para o pleito deste ano. Diferentemente do ocorrido nos debates anteriores, não houve um volume expressivo de menções irônicas ao temperamento de Ciro, que ganhou mais seriedade e robustez em discussões sobre pautas econômicas e sobre a reorganização do sistema político.

Já Fernando Haddad, quarto candidato em número de postagens (131,7 mil), teve menos protagonismo no debate da Record TV em comparação com o promovido por SBT/Folha/UOL. A maior parte das discussões sobre o petista no Twitter foram mobilizadas pelas falas de outros candidatos e não por suas declarações. Um dos destaques foi a fala de Alvaro Dias sobre suposta estratégia do PT para reduzir o apoio a Ciro Gomes, o que mobilizou críticas de corrupção por perfis conservadores. As menções a Lula representaram 13% das postagens, especialmente associadas a corrupção ou em comparações entre Haddad e o ex-presidente. Nesse contexto, repercutiu fala de Cabo Daciolo questionando as habilidades de liderança de Haddad ao dizer que “Lula é líder. O senhor tem que aprender muito para virar líder”.

Com 84,4 mil postagens, Boulos foi o quinto mais citado  e recebeu elogios dos usuários por sua performance durante embate com Cabo Daciolo, quando endossou as críticas do candidato do Patriota ao sistema político brasileiro. O confronto com Haddad, quando Boulos criticou o candidato do PT por conta das alianças políticas do partido, também repercutiu, especialmente entre perfis conservadores.

Marina Silva, por sua vez, perdeu espaço nas discussões e caiu da quinta posição no debate passado para a sexta em volume de menções (77.784). Enquanto nos debates anteriores a associação a Bolsonaro gerou menções positivas à candidata da Rede, neste mobilizou críticas por conta de sua fala sobre a ausência do candidato do PSL e pela suposta falta de posicionamento sobre pautas polêmicas em suas propostas de governo.

Geraldo Alckmin, Henrique Meirelles e Alvaro Dias foram os candidatos com menor número de postagens, com a maior parte das menções relacionada a outros candidatos. Alckmin seguiu com imagem negativa associada a corrupção e recebeu críticas de apoiadores de Bolsonaro às chamadas na TV de sua campanha eleitoral. Meirelles também foi criticado por sua suposta falta de expressão política, discurso técnico e fala monótona. Alvaro Dias, porém, teve um debate mais intenso após criticar o PT — o número de publicações sobre ele subiu de 8,2 mil para 18,7 mil em relação ao debate anterior.

Hashtags

  Volume de menções às hashtags associadas ao debate – 30/set (21h) até 01/out (1h)

As discussões sobre os presidenciáveis impulsionaram a hashtag oficial do debate da Record TV, presente em 176,4 mil publicações. Em seguida, estiveram #ovotonarecord (28,8 mil publicações) e #debaterecord em 13,5 mil publicações. Entre as hashtags promovidas por apoiadores de candidaturas, Ciro Gomes foi o mais citado, presente em 26,9 mil menções com a #cironarecord, e 23,2 mil publicações com #ciro12. João Amoedo, que não participou do debate. também mobilizou hashtags que buscam apoio dos usuários para ser convidado para o próximo debate (#joaonosdebates teve 18,7 mil postagens, e #joãonosdebates 11,6 mil). Também foi destaque a hashtag #elenão, que esteve presente em 6,7 mil publicações.

O debate temático

Questões de gênero foram mais uma vez a temática mais citada a partir do debate, por conta de discussões sobre a participação das mulheres no pleito deste ano. Bolsonaro foi o eixo condutor destas discussões, devido ao movimento de mulheres contra o candidato conhecido como #elenão, e também por conta da repercussão de fotos de faixas de apoiadores de Bolsonaro com os dizeres “mulheres com Bolsonaro” durante as manifestações de domingo.

  Volume de menções ao temas associados ao debate – 30/set (21h) até 01/out (1h)

As publicações sobre Segurança Pública também foram associadas a Bolsonaro e comentam o ataque sofrido pelo presidenciável no dia 06 de setembro. Houve também intenso diálogo sobre as propostas do candidato do PLS sobre armamento civil, seja em publicações favoráveis como contrárias às políticas defendidas por ele.

Corrupção foi mobilizada especialmente por referências à Operação Lava Jato e às investigações a políticos do PT. As publicações que mais repercutiram foram postadas pelos próprios presidenciáveis, como acusações genéricas publicadas por Bolsonaro, críticas a Haddad e a Lula feitas por João Amoedo, e a afirmação de Ciro de que é “ficha limpa”.

As menções a democracia foram encabeçadas por perfis mais à esquerda no espectro político, que criticaram falas de políticos apoiadores de regimes ditatoriais. Fortemente associadas à temática gênero, as principais postagens elogiaram o movimento de mulheres a favor do Estado de Direito e enfatizaram a importância da soberania popular.

O debate econômico ganhou expressividade nos tuítes de João Amoêdo, candidato que não participou do debate na Rede Record, mas que respondeu a perguntas propostas pelos usuários durante a transmissão via Twitter. Repercutiram as críticas do candidato à má gestão de dinheiro público e à crise econômica. Em seguida, também foram destaque publicações de Ciro Gomes e Fernando Haddad sobre suas propostas de governo para reduzir o desemprego.

Já o debate sobre habitação foi associado a Guilherme Boulos, somando críticas e elogios ao Movimento dos Trabalhadores Sem Teto e à política de ocupação de moradias desocupadas como forma de redução do déficit habitacional.

Em Educação, repercutiram elogios à proposta de Cabo Daciolo que obriga políticos a matricularem seus filhos em escolas públicas, além de postagens sobre investimentos na educação básica e em universidades como forma de saída da crise econômica vivenciada pelo país.