27 set

Debate SBT/Folha/UOL mobiliza 553 mil tuítes em 4 horas

Mesmo ausente do debate, Bolsonaro foi o presidenciável mais citado em discussões no Twitter durante a transmissão; Cabo Daciolo foi segundo mais mencionado, seguido por Ciro e Haddad, em patamar similar de referências

Atualizado em 27 de setembro, 2018 às 5:43 pm

O debate presidencial promovido nesta quarta-feira (26) por SBT, Folha de São Paulo e UOL, motivou 553.589 menções aos presidenciáveis no Twitter entre 17h e 21h. A repercussão foi superior ao debate promovido pela CNBB e veiculado na TV Aparecida no dia 20, que teve 387.598 menções, mas bastante inferior ao obtido pelos debates na Band (1,59 milhão de menções) e na RedeTV! (619 mil), ambos em agosto. Ao contrário dos outros eventos de TV com candidatos, o debate de ontem ocorreu no fim da tarde, das 17h45m às 17h25m.

Volume de menções aos candidatos

 Ainda ausente, recuperando-se do ataque sofrido em Juiz de Fora, Jair Bolsonaro se manteve como o presidenciável mais citado nas discussões, com 206.476 referências, seguido por Cabo Daciolo. O candidato do Patriota, ausente de eventos políticos recentes, retornou aos debates com bastante popularidade, destacado em 112.993 menções. Ficou à frente de Ciro Gomes (77.611) e Fernando Haddad (75.727 citações). Também participaram do debate os candidatos Alvaro Dias (Podemos), Geraldo Alckmin (PSDB), Guilherme Boulos (PSOL), Henrique Meirelles (MDB) e Marina Silva (Rede).

Sobre Bolsonaro, pouco citado durante o debate, o principal tópico de menções durante o evento foi postagem no Instagram de Carlos Bolsonaro, filho do presidenciável e vereador da cidade do Rio, de imagem que simula a tortura. Grupos a favor e contra Bolsonaro se mobilizaram para defender ou criticar a imagem, e mantiveram as discussões associadas ao líder das pesquisas em função desse episódio. Houve, porém, engajamento de perfis alinhados à esquerda sob o discurso de que, se os eleitores de Bolsonaro desejassem votar em um candidato de valores conservadores, cristão e contrário à corrupção, poderiam fazê-lo com a opção por Cabo Daciolo, mas optam por Bolsonaro por outros elementos de sua campanha, como o discurso de ódio contra minorias e a apologia à tortura.

Daciolo obteve alta repercussão positiva com perfis de oposição a Bolsonaro e que declaram voto em outras candidaturas situadas mais à esquerda, como as de Marina, Haddad, Boulos e Ciro. Perfis, não sem leve teor irônico, elogiaram o posicionamento do presidenciável ao defender ações como o Bolsa Família, programas de financiamento do ensino superior e a política de cotas, com críticas a bancos, juros elevados, à classe política, à reforma da Previdência e à PEC do Teto dos Gastos, que limitou o investimento federal em saúde e educação. Esses grupos satirizam o componente religioso da fala de Daciolo e as afirmações de tom “conspiratório”, mas reiteram que, frente a outros candidatos, com alusão principal a Bolsonaro, o deputado se mostra bem-intencionado e preocupado com justiça social.

Haddad e Ciro adotaram posições combativas para defender as próprias candidaturas e, com isso, obtiveram relevante associação. Ambos foram mencionados em 12,7 mil postagens no Twitter, sobretudo a partir de comparativos sobre os resultados da pesquisa Ibope, divulgada horas antes do evento, e de comentários que fizeram na TV sobre as diferenças que separam cada projeto de governo. A “troca de farpas” entre a dupla foi citada por apoiadores tanto de um lado quanto de outro, embora com elogios, em especial de perfis alinhados ao PT, à postura civilizada que mantiveram ao longo do debate. O ex-presidente Lula foi associado a Haddad em 17,9 mil tuítes (23,6% das menções ao candidato petista).

O enfrentamento com Haddad também foi importante no debate sobre Marina — que, a exemplo das últimas semanas, continua com volume de referências bastante próximo ao de Alckmin e em distância dos candidatos com mais intenções de voto. Ela fez críticas ao PT e questionou Haddad pelo apoio de políticos que votaram a favor do impeachment de Dilma Rousseff, distanciando-se da candidatura petista e da temática da corrupção.

Quanto a Alckmin, destacaram-se o embate com Guilherme Boulos, a associação a episódios de corrupção associados ao PSDB e críticas à falta de reação de sua candidatura e ao diálogo com Meirelles sobre propostas econômicas para a recuperação do país e para a geração de empregos, sob o pano de fundo da relação de ambos com o governo Temer. Tanto Alckmin quanto Marina foram ainda associados à discussão sobre a união das chapas de centro em contraposição às candidaturas de Haddad e Bolsonaro.

Menções às hashtags

O debate temático

A despeito da ausência de Bolsonaro, questões de gênero foram o principal destaque no debate, superando tópicos de políticas públicas — como educação e saúde, novamente assunto bastante periférico no debate político das redes. Essa discussão articulou-se a partir de falas de Marina, de engajamentos da hashtag #elenão, da declaração de amor de Cabo Daciolo à mãe, à esposa e às mulheres brasileiras e de referências à futura participação de mulheres nos governos dos candidatos, assim como o compromisso de promover a equidade salarial e de oportunidades. Também se associou à pauta de educação, com base em falas de Alvaro Dias e Marina sobre investimentos em creches.

Em economia, houve abrangente correlação com outras duas agendas — desenvolvimento social e educação. As falas contundentes de Cabo Daciolo sobre a miséria, os programas de assistência social e a ênfase de diferentes candidatos ao Bolsa Família centralizaram o tema, complementado no debate sobre a criação de empregos, o legado dos governos petistas, o impacto da corrupção nas contas públicas e, em menor escala, a política tributária do país, com promessas de mudança na estrutura atual de cobrança de impostos.

Em segurança, o ausente Bolsonaro de novo foi protagonista, a partir de falas críticas à publicação feita por seu filho no Instagram, mobilizada por candidatos de todos os eixos políticos e que se posicionaram contra o acirramento de manifestações violentas no cenário político. Foi ainda tema de destaque para Boulos, que fez críticas ao número de assassinatos de jovens negros e pobres no Brasil e aos programas atuais de combate ao crime.  

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