25 out

Debate sobre presidenciáveis chega a 14,2 milhões de tuítes

Acusações sobre autoria de notícias falsas ganham espaço nas redes com discussões impulsionadas pelos próprios candidatos; Pouco focadas em propostas, discussões sobre temas econômicos são influenciadas por ataques e defesas sobre os presidenciáveis

Atualizado em 13 de novembro, 2018 às 12:39 pm

A disputa entre os candidatos à Presidência, que se acirra nos últimos momentos da campanha, aquece também as publicações sobre a corrida eleitoral no Twitter. Nesse movimento, Jair Bolsonaro e Fernando Haddad mobilizaram, entre 18 e 24 de outubro, um volume de menções (14,2 milhões) equivalente ao de todos os candidatos, na semana que antecedeu o primeiro turno (14,3 milhões). Acusações relacionadas à divulgação de notícias falsas e à incitação de atos violentos, bem como questões referentes à relação entre religião e política foram predominantes, no debate.

>> Confira a íntegra do DAPP Report – A semana nas redes

Apesar do crescimento de 35,2% do volume de publicações, na comparação com a semana anterior, a participação de contas automatizadas na discussão caiu consideravelmente. Os retuítes produzidos por robôs responderam por 4,6% do debate nas últimas 24h (na última análise, este valor era de 10,4%), dos quais 66,9% integram a base de apoio a Bolsonaro, enquanto 30,3% estão entre os perfis pró-Haddad.

Evolução de menções no Twitter aos presidenciáveis – 18.out a 24.out

No Facebook, o candidato do PT segue diminuindo a distância entre o volume de interações de sua página oficial e o de seu oponente, que se manteve estável na comparação com a semana anterior. Entretanto, na média por publicação, essa diferença ainda se mantém expressiva.

Engajamento nas páginas os presidenciáveis – 18.out a 24.out

Mapa de interações no debate via Twitter

Nas 24 horas desta quarta-feira (24), foram coletados 1.747.697 retuítes sobre as eleições presidenciais no Brasil, a partir dos quais foi elaborado um mapa de interações em que é possível identificar quatro principais grupos em discussão. Neste debate, foram encontradas 1.212 contas automatizadas, que geraram 80.035 interferências ilegítimas nas discussões (4,6% do total do debate) e, portanto, foram excluídas da análise.

Grupo rosa
Após apresentar um esvaziamento na semana passada, o grupo que se apresenta contrário a Bolsonaro, mas sem alinhamento partidário, voltou a crescer nesta quarta, reunindo 39,1% dos perfis e 14,9% das interações. Os perfis demonstram preocupação quanto à manutenção do Estado democrático brasileiro e em relação dos direitos das minorias. O grupo também argumenta que, enquanto o cantor Mano Brown criticou, ao lado de Haddad, o PT, Bolsonaro afirma que vai acabar com qualquer crítica da oposição e com o ativismo.

Grupo vermelho
De apoio a Haddad, o grupo (27,4% dos perfis e 31% das interações) tem o candidato como um de seus principais influenciadores. Nas publicações do petista mais retuitadas pelo grupo, ele afirma que “coitados” não são os nordestinos, negros, mulheres e gays, como diz Bolsonaro, mas o próprio deputado federal, que foi incapaz de fazer algo pelo Brasil em 28 anos de vida pública. Como no grupo rosa, Haddad também enfatiza que está aberto para dialogar com eleitores críticos, como Mano Brown e Cid Gomes, diferentemente de seu oponente.

Grupo azul
O grupo de apoio a Bolsonaro (25,4% dos perfis) permanece como o que mais mobiliza o debate, gerando 51,4% das interações. O candidato é autor dos tuítes mais populares do grupo, e, no que mais repercutiu, afirma que a “mamata da Folha de São Paulo vai acabar”. Segundo ele, não haverá censura, mas corte de recursos públicos para “ativismo político”. O candidato também pede retratação dos que que o associaram aos recentes ataques e pichações nazistas pelo país, uma vez que o laudo policial sobre a estudante que foi marcada com uma suástica diz que a lesão teria sido feita em automutilação.

Grupo azul-claro
O grupo (4,6% dos perfis e 1,9% das interações) também demonstra apoio a Bolsonaro, mas tem como principal influenciador o humorista Danilo Gentilli. Em seu tuíte com mais repercussão, ele questiona se aqueles que acusaram eleitores de Bolsonaro de realizarem ataques contra a oposição vão se calar diante do laudo que aponta que a estudante marcada com uma suástica pode ter se automutilado. O humorista também critica Haddad por ter afirmado que o General Mourão foi um torturador.

Contas automatizadas
Durante o último dia, foram encontradas 1.212 contas automatizadas, que representam 0,3% dos perfis totais do mapa de interações. Elas geraram 80.035 interações ilegítimas, o que equivalente a 4,6% das interações totais. Os grupos mais afetados pelas interações automatizadas foram o azul e vermelho. No azul, foram identificados 554 robôs, responsáveis 53.574 interações — 66.9% do total das interações automatizadas. No grupo vermelho, por sua vez, foram encontradas 463 contas automatizadas, que geraram 24.280 interações — 30,3% do total das interferências ilegítimas.