12 out

Debate sobre violência pós 1º turno gera 2,7 milhões de tuítes

Tuítes que repercutem notícias sobre episódios de violência física, ofensas e ameaças virtuais e publicações por parte de grupos como homossexuais, mulheres e negros. Tanto perfis contrários a Bolsonaro quanto favoráveis discutiram sobre o ataque, com críticas a atos violentos

Atualizado em 15 de outubro, 2018 às 6:36 pm

Desde a noite de domingo é consistente (e expressiva), no Twitter, a discussão sobre episódios de agressão a eleitores contrários a Jair Bolsonaro, assim como a profissionais da imprensa — tanto fisicamente quanto em âmbito virtual. Das 19h de domingo às 15h desta quinta, foram identificados 2,7 milhões de tuítes que repercutem notícias sobre episódios de violência física, ofensas e ameaças virtuais e publicações por parte de grupos como homossexuais, mulheres e negros que expressam o medo de sofrer ataques em um eventual governo de Bolsonaro.

Assim como nos demais tópicos emergentes desde a divulgação inicial dos resultados da eleição presidencial, o pico de referências a medo e a agressões foi pouco depois das 19h de domingo, com média de 3,2 mil tuítes por minuto, quando predominaram publicações com demonstração de receio sobre o impacto que a votação expressiva de Bolsonaro terá sobre apoiadores que alimentam preconceito contra minorias.

Evolução de menções sobre medo, episódios de violência física, ofensas e ameaças virtuais associadas a contexto político – 7.set a 11.out

Na segunda-feira, a morte do capoeirista Mestre Moa foi o principal assunto de repercussão (total de 112 mil postagens), somada a outras denúncias e compartilhamentos de links sobre agressões a jornalistas e eleitores do PT. Postagens sobre ofensas virtuais e ameaças no transporte público, nas ruas e no ambiente de trabalho das pessoas também foram repercutidas, assim como campanhas e iniciativas para que as vítimas de violência e de agressões consigam compartilhar e prestar queixa dos crimes de ódio que foram praticados.

Na quarta-feira, os posicionamentos de Bolsonaro e de Haddad em condenação à violência após o primeiro turno representaram notável participação no debate, com os dois entre os cinco tuítes de maior impacto do período. Junto às declarações de ambos os candidatos, prevaleceu a discussão sobre a jovem que foi agredida no Rio Grande Sul e marcada com uma suástica (329 mil referências). Tanto perfis contrários a Bolsonaro quanto favoráveis discutiram sobre o ataque, com críticas à volta de situações violentas associadas ao nazismo, à quantidade de ataques a minorias (em especial homossexuais) e à falta de posicionamento das autoridades. Perfis pró-Bolsonaro, com base em entrevistas com a equipe que investiga o crime, questionaram se foi, de fato, um crime de ódio, e argumentaram que nem todos os ataques são de apoiadores do deputado federal, mas sim de opositores que desejam prejudicá-lo na eleição.

Antes das eleições, debate estável

No mês que antecedeu o debate eleitoral, manteve-se média de 35,9 mil tuítes por dia sobre agressões e casos de violência associados ao contexto político das eleições (excluídas referências ao ataque a Bolsonaro, em Juiz de Fora), sem destaques expressivos que alterassem a estabilidade do volume de menções. Perfis e canais de maior alinhamento a cada um dos lados do espectro político, não apenas favoráveis a Haddad ou a Bolsonaro, mas também aos demais presidenciáveis, divulgaram notícias de agressões ou ofensas virtuais — como, por exemplo, a denúncia de agressão de um advogado a um jovem que vestia uma camisa de Bolsonaro. De 07 de setembro a 07 de outubro, foram 1,1 milhão de tuítes sobre agressões (40% do volume de referências ao tema apenas nos quatro dias após o primeiro turno).

A imprensa tradicional também repercutiu casos que obtiveram destaque, como a agressão a uma das organizadoras do movimento “Mulheres contra Bolsonaro”; a divulgação, pelo filho do candidato Carlos Bolsonaro, de uma simulação de tortura no Instagram; a discussão entre Ciro Gomes e um jornalista, em Roraima, assim como declarações de Ciro sobre adversários. Houve, desde o começo da campanha, também declarações de medo do acirramento da violência com a aproximação das datas de votação e quanto a eventual governo, tanto de Bolsonaro quanto do PT. Perfis favoráveis a ambos os candidatos criticaram o outro lado e reproduziram episódios de intolerância, ataques a jornalistas e agressões a cidadãos.