01 out

Falas de Mourão contra direitos trabalhistas geram 187 mil tuítes

Falas de general Mourão sobre 13º e férias remuneradas foram responsáveis por cerca de 18% do debate sobre presidenciável do PSL no período; apoiadores do deputado foram ao Twitter pedir que Bolsonaro impedisse novas declarações polêmicas do vice e do economista Paulo Guedes

Atualizado em 4 de outubro, 2018 às 10:24 am

As declarações contra direitos trabalhistas previstos na Constituição dadas pelo general Hamilton Mourão, candidato a vice-presidente na chapa de Jair Bolsonaro, repercutiram intensamente no debate sobre Bolsonaro desde o começo da tarde desta quinta-feira (27). Das 14h de quinta até as 13h desta sexta (28), de um total de 1,01 milhão de referências ao deputado federal no Twitter, 187,3 mil (18,7%) abordaram a fala de Mourão crítica ao 13º salário, ao pagamento de adicional de férias aos trabalhadores e outros benefícios trabalhistas. Foi um dos principais picos de repercussão econômica na discussão eleitoral sobre Bolsonaro desde o início da campanha.

Até as 23h de quinta, as menções ao assunto tiveram volume de menções médio de 14 mil tuítes por hora, com ampla visão negativa sobre a fala, principalmente a partir do impacto que poderia gerar na campanha de Bolsonaro. Tal repercussão crítica ocorreu, inclusive, entre apoiadores do deputado, que foram ao Twitter pedir que Bolsonaro impedisse novas declarações polêmicas, também com referências ao economista Paulo Guedes.

Alguns perfis, no entanto, endossaram a opinião de Mourão, com críticas ao que chamaram de “manipulação da imprensa” e mesmo ao próprio Bolsonaro, por entenderem que a leitura do general acompanha princípios associados à redução do Estado e ao estímulo à classe empresarial. Por isso, mostraram-se contrários à manutenção dos direitos criticados por Mourão e traçaram comparativos com, por exemplo, o sistema de remuneração nos Estados Unidos — ao questionar o 13º salário e o adicional de férias, o vice de Bolsonaro os havia chamado de “jabuticabas”, porque só existem no Brasil.

Paulo Guedes e escolha de Mourão como vice em xeque

Dentro do debate sobre os comentários de Mourão, o principal subtema foi a crítica ao 13º salário, respondendo por 52,7 mil tuítes, com majoritário sentimento negativo. Já a opinião sobre as férias remuneradas dos trabalhadores respondeu por 33,8 mil postagens. O economista Paulo Guedes, que este mês também fez comentários polêmicos e rejeitados pelo próprio Bolsonaro, foi citado em 8,7 mil tuítes, em especial por conta da proposta de recriação da CPMF.

Outro tópico relembrado na web foi a defesa, por Mourão, de uma constituinte elaborada por “notáveis”, sem a necessária atuação de parlamentares eleitos. Esse debate foi mobilizado por tuíte de Bolsonaro com críticas ao próprio vice, no qual defendeu o direito constitucional ao 13º salário e definiu como “ofensa” criticá-lo. A repercussão direta do posicionamento do candidato gerou 16,8 mil publicações.

À esquerda e entre influenciadores, outro ponto de debate foi a posição do general como “principal adversário” de Bolsonaro na campanha, junto a Guedes. Perfis de humor, de atores políticos e de celebridades afirmaram, com acentuada ironia, que Mourão rotineiramente consegue fazer “estragos” contra Bolsonaro que nenhum adversário político se aproxima de obter ao atacá-lo. Cerca de 900 publicações, inclusive, lembram que outros nomes ficaram próximos de integrar a chapa presidencial, como a advogada Janaina Paschoal, o príncipe Luiz Philippe de Orleans e Bragança e o astronauta Marcos Pontes. Afirmam que, com qualquer outra escolha, o desgaste seria menor que o provocado por Mourão.