08 out

Definição de 2º turno provoca 2,45 milhões de tuítes sobre candidatos

Candidato do PSL mobiliza 1,46 milhão de tuítes; Haddad supera Ciro e registra 507,1 mil menções até as 16h; Mapa de interações aponta surgimento de grupo que se une pela oposição tanto a Bolsonaro quanto a Haddad

Atualizado em 10 de outubro, 2018 às 10:33 am

O fim do primeiro turno e o começo de uma nova campanha entre Jair Bolsonaro e Fernando Haddad se apresentou, nas redes sociais, já em estágio de transição, com forte presença de elogios, comemorações e lamentos e as primeiras movimentações dos grupos para que possam se posicionar na polarização Haddad/Bolsonaro. Até as 16h desta segunda-feira, o debate sobre a eleição presidencial mobilizou cerca de 2,45 milhões de menções no Twitter, e Bolsonaro segue na liderança, com 1,46 milhão de referências. No Facebook, o candidato do PSL também lidera a média de engajamento por posts, com 138 mil interações por publicação.

Com a definição do segundo turno, Fernando Haddad (507,1 mil tuítes) voltou a superar Ciro Gomes (288,7 mil) no ranking, distanciando-se do pedetista em volume de menções. Tanto entre as publicações que citam o candidato do PSL quanto nas relacionadas ao petista, as expectativas por alianças no segundo turno aparecem com relevância nos principais picos de menção, assim como as manifestações de pesar por conta do resultado do pedetista, apesar do forte impulso de engajamento de apoio a Ciro desde o fim da última semana.


Jair Bolsonaro
O candidato do PSL se manteve como o presidenciável mais mencionado, nesta segunda-feira (08), no Twitter, com 1,46 milhão de referências entre 0h e 16h. No principal pico de menções, registrado por volta de 13h, destacam-se entre as publicações mais retuitadas mensagens da conta oficial do candidato em que ele afirma que é preciso combater a corrupção e a violência. O tom da discussão, de modo geral, é marcado por comparações entre Bolsonaro e Haddad, que trazem, por um lado, críticas ao petista por ter visitado Lula após o primeiro turno e por defender pautas que, para esses usuários, seriam autoritárias, como a regulação da mídia. Por outro lado, há declarações de rejeição a Bolsonaro que questionam sua postura “agressiva” (também atribuída a seus eleitores, principalmente em razão do assassinato de um apoiador do PT, na Bahia) e afirmam que ele vai “continuar fugindo” dos debates no segundo turno.

Fernando Haddad
Com a consolidação do cenário para o segundo turno, o volume de menções a Haddad seguiu a tendência de crescimento identificada na noite de ontem e superou o de Ciro Gomes nesta segunda, chegando a 507,1 mil tuítes até as 16h. A proximidade com Lula é um dos principais assuntos das publicações; nelas, o candidato é criticado e chamado de “garoto de recados” do ex-presidente. Postagens do perfil oficial de Haddad na rede também alcançaram destaque em um dos principais picos de menções, por volta de 13h, abordando a disposição do presidenciável para o diálogo com outros candidatos, em busca de alianças para o segundo turno, o combate ao discurso de ódio e às notícias falsas sobre fraude eleitoral, entre outros temas. Haddad é bastante associado a Guilherme Boulos, em função da declaração de apoio do candidato do PSOL, e a Ciro Gomes, tanto por declarações do petista sobre possibilidades de articulações, quanto diante por um vídeo em que o pedetista critica Haddad.

Ciro Gomes

Com 288,7 mil menções e volume bastante estável entre 10h e 13h, Ciro aparece, em especial, em torno da expectativa de seu posicionamento no segundo turno. Reportagens que afirmam que Ciro teria decidido apoiar Haddad são bastante compartilhadas, bem como mensagens que pedem que o pedetista ajude a combater o “fascismo”, representado, segundo esses perfis, pela chapa de Bolsonaro. Por outro lado, cresce, entre os apoiadores do candidato do PSL, a circulação de um vídeo publicado em 30 de agosto pelo site The Intercept Brasil em que Ciro faz críticas ao candidato petista e a Lula.

Demais candidatos
João Amoêdo ficou na 4ª posição em volume de menções no Twitter nesta segunda, com recorrentes posts que especulam sobre a possibilidade de apoio a Bolsonaro no segundo turno, em geral com mensagens que solicitam ao candidato do Novo que aprove a aliança. Alguns usuários também criticam eleitores do Bolsonaro, afirmando que, se de fato estivessem preocupados com a economia, teriam votado em Amoêdo e não no candidato do PSL. Também há comentários sobre o resultado de Amoêdo, considerado positivo por esses usuários, por ter superado outros nomes mais conhecidos dos eleitores.

Marina Silva, 5ª colocada, com 50,4 mil menções, registrou crescimento pontual por volta de meia-noite, quando seu resultado no pleito foi destacado, seja em tom de ironia, em especial em comparação com os votos a Cabo Daciolo, seja em mensagens de apoio à candidata, que destacavam sua trajetória pessoal e política e lamentavam o baixo número de votos. Posts da conta oficial de Marina em que ela celebra a eleição de outros candidatos da rede também tiveram boa repercussão, no período. No segundo maior pico da candidata, por volta de 11h, foram expressivas menções que especulam seu posicionamento no segundo turno.   

Facebook

Passado o primeiro turno, o protagonista no ranking de engajamento no Facebook, nesta segunda-feira, não segue na disputa pela Presidência: é João Amoêdo, que superou Jair Bolsonaro em volume de reações, comentários e compartilhamentos em sua página na rede. O candidato à Presidência pelo Novo mobilizou interações ao postar mensagens de agradecimento aos eleitores e ao divulgar os resultados do partido na corrida eleitoral.  

Na análise de engajamento por post, no entanto, Bolsonaro volta à liderança, uma vez que publicou bem menos — foram apenas três postagens contra seis de Amoêdo. A média de engajamento por publicação foi de 138.145,6 para o primeiro e de 74.734,7 para o segundo — ambos bem distantes do terceiro colocado, Fernando Haddad (14.912,3 interações por post).

Mapa de interações

Para observar como as redes se reorganizaram a partir dos resultados eleitorais divulgados no início da noite de domingo (07), foram analisados dois momentos específicos:a fase posterior à divulgação dos primeiros números da corrida presidencial, na noite de domingo; e as 12 primeiras horas de segunda-feira (08). Nos dois casos, foi observada uma participação muito baixa de robôs na discussão (menos de 1% no total de interações), diferentemente das semanas que antecederam a eleição.

O primeiro momento demarcado, das 20h de domingo à 0h desta segunda, já sinaliza tendências do período pós-primeiro turno no Twitter. Neste período, foram 1.253.133 tuítes e 863.150 retuítes, dentre os quais 2.447 retuítes foram provenientes do uso de 407 robôs. O segundo momento contempla o período entre a 0h e as 12h de segunda, e é composto por 1.433.581 tuítes e 1.055.066 retuítes, dos quais 8.704 retuítes foram feitos por 833 robôs.

O debate na noite de domingo

Já em resposta ao intenso movimento de apoio a Ciro Gomes que se construiu às vésperas da eleição, e que buscou mobilizar votos anti-Bolsonaro para o pedetista, com baixo resultado nas urnas, logo após a divulgação inicial dos resultados da disputa presidencial o tsunami começou a se reverter. Entre as 20h de domingo e a meia-noite de segunda (08), o grupo pró-Ciro (em roxo, com 31% dos perfis e 33,1% das interações) permaneceu o mais forte do debate sobre os candidatos, com discurso crítico ao resultado positivo de Bolsonaro nas urnas. Ao mesmo tempo, no entanto, à direita surgiu um novo grupo (em verde), que satiriza a mobilização virtual de endosso a Ciro frente aos números da votação. Esse grupo anti-Ciro respondeu por 10,6% dos perfis e por 7,1% das interações do grafo.

O grupo anti-Ciro se alinha à estável base em azul de Bolsonaro (14% dos perfis e 20,7% das interações), que repercutiu positivamente a expressiva votação do PSL em todos os níveis eleitorais e se posiciona como eixo de contraposição aos grupos que criticam o deputado federal. Até então, havia sido muito baixa a transferência de apoio entre os perfis críticos a Bolsonaro diretamente para Haddad, que se manteve com a base petista, em vermelho, com 16,4% dos perfis e 19,5% das interações na noite de domingo. O grupo rosa, tradicionalmente não alinhado a nenhum candidato nesta eleição, e que havia migrado em boa parte para Ciro, retorna à posição não alinhada, com 16,8% dos perfis e 13,5% das interações, fazendo ativa crítica a Bolsonaro e a seus eleitores.

O debate na manhã de segunda

Logo após a identificação de que haveria um segundo turno entre Bolsonaro e Haddad, ainda no domingo, emergiu de forma uma nova base de rejeição a ambos os lados, em amarelo (4,1% dos perfis e 3% das interações), e que, de um lado, critica o petista pela corrupção e, do outro, afirma que um eventual governo Bolsonaro implicará em riscos de morte. Esse grupo se manteve na discussão desta segunda, com 3,25% dos perfis e 2,1% das interações.

A base de apoio a Ciro, porém, se fragmentou e, apesar de ainda lamentar a derrota do candidato e os resultados obtidos por Bolsonaro, readequou o discurso ao segundo turno e à leitura crítica das eleições, deixando o engajamento de hashtags e votos para Ciro. Por isso, o grupo em rosa voltou a assumir o protagonismo do debate nesta segunda e se divide em três diferentes subgrupos: o maior do grafo, em rosa claro (25% dos perfis, 23,4% das interações), teve como foco central de discussões as posições preconceituosas de Bolsonaro e de parte de seus eleitores nas redes, citando retrocessos no combate ao racismo, à homofobia e à misoginia.

O segundo subgrupo, em rosa escuro (10,9% dos perfis e 8,7% das interações) é ainda mais centralizado pela oposição a Bolsonaro a partir das questões identitárias, como a crítica ao machismo e ao preconceito com nordestinos. Os perfis do grupo também afirmam que, ainda que Bolsonaro não sancione leis excludentes ou contrárias a minorias, sua eleição como presidente chancela que seus apoiadores possam livremente cometer crimes de ódio nas ruas. Já se ensaiam em ambos os grupos futuro apoio a Haddad, mas ainda não há migração maciça da base não alinhada para o grupo vermelho — que no segundo mapa de interações reuniu 12,8% dos perfis e 16,2% dos retuítes. O mesmo movimento se antecipa no terceiro subgrupo, em lilás (5,2% dos perfis, 4,8% das interações), e que destaca apoios de artistas à campanha anti-Bolsonaro e o impacto internacional do resultado no Brasil.

À direita, o grupo favorável a Bolsonaro, em azul, continuou como engajador principal de apoio ao presidenciável, com 17,4% dos perfis e 30% das interações (foi a base com maior volume de retuítes), aumentando expressivamente a participação no debate político nesta segunda. Veem-se postagens de agradecimento ao resultado, ainda mensagens sobre as urnas eletrônicas e denúncias de fraude eleitoral, críticas ao PT e à esquerda e declarações de repúdio, por parte de influenciadores, a eleitores que fizeram ofensas ao Nordeste. A outra base à direita, em verde, não interage diretamente com os perfis da família Bolsonaro e aliados próximos, mas expressa sentimento antipetismo. Teve 5,6% dos perfis e 3,3% das interações do grafo.

Desinformação

Ataques xenofóbicos contra nordestinos, acusações de supostas fraudes em urnas eletrônicas e confrontos físicos entre eleitores de diferentes candidatos foram algumas das notícias que marcaram o clima de polarização das 24 horas após o início da apuração da eleição. Das 50 notícias com maior engajamento no Facebook e no Twitter ‒ através de compartilhamentos, comentários e curtidas ‒, entre as 16h40 de domingo (07) e as 16h40 de segunda-feira (08), destacam-se links que compilam postagens ofensivas direcionadas aos eleitores do Nordeste, região em que o Partido dos Trabalhadores teve seu melhor desempenho.

Além dos ataques a nordestinos, tiveram repercussão significativa, também, a morte a facadas de um apoiador do Partido dos Trabalhadores durante uma briga em um bar de Salvador (BA); os questionamentos do candidato Jair Bolsonaro sobre a credibilidade das urnas eletrônicas; e uma análise que conclui que candidaturas da direita brasileira seriam promovidas por notícias falsas que favorecem seus candidatos ou que comprometem a imagem de adversários.

Não houve entre os 50 links mais compartilhados notícias com conteúdo suspeito.