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Debate questiona conhecimento de candidatos sobre economia

Lula e Bolsonaro são criticados por declarações sobre o tema; o segundo assunto mais mencionado foi desemprego

Atualizado em 3 de agosto, 2018 às 12:55 pm

O pico de menções sobre Jair Bolsonaro na semana, em decorrência da sua participação do programa “Roda Viva”, foi bastante expressivo também no debate econômico, mostra nova edição do DAPP Report – A semana nas redes. O volume de menções foi comparável ao dos picos relacionados ao processo de condenação e prisão do ex-presidente Lula.

>> Confira a íntegra do DAPP Report – A semana nas redes

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Dois assuntos foram especialmente repercutidos nesse contexto. O primeiro foi a falta de conhecimento de Jair Bolsonaro sobre economia e sua constante recorrência a Paulo Guedes, seu possível ministro da Fazenda, caso eleito. Nas redes sociais, foi possível observar, com frequências semelhantes, tanto a crítica à falta de plano B do presidenciável, quanto o apoio ao candidato e crítica às perguntas sobre o tema feitas no programa.

O segundo assunto foi o desemprego, resultado de um elevado volume de compartilhamentos do perfil do próprio candidato no Twitter em que ele critica as perguntas sobre o passado (ditadura militar), enquanto um dos principais problemas do país, no presente, é o elevado desemprego. Por parte dos críticos, foi possível observar uma preocupação com o modo como a imprensa lida com o candidato, expondo seus posicionamentos radicais, enquanto que parte do seu eleitorado, diretamente afetado pela crise econômica, tende a dar menos importância para tais posições.

O debate em torno do ex-presidente Lula não trouxe grandes novidades na semana, sendo muitas vezes objeto de oposição com o debate sobre Bolsonaro, devido ao recurso do deputado de criticar ao PT frequentemente. No entanto, algo que vale destacar é que a crítica à falta de entendimento sobre economia foi estendida ao ex-presidente devido à sua declaração de que “dinheiro de rico fica parado em banco, dinheiro de pobre movimenta a economia”. Por parte de perfis alinhados à direita, algo que vem à tona nesse debate é a falsa alegação de que Lula seria analfabeto e por essa razão não seria capaz de entender de economia.

Geraldo Alckmin sofreu uma redução do volume de menções em relação ao seu pico na semana passada, mas continua com alguma repercussão, em especial, por suas declarações favoráveis à manutenção da Reforma Trabalhista, o que gera, naturalmente, posições bastante divergentes no debate econômico. Com isso, o candidato busca se consolidar como o “candidato do mercado”, mas ainda enfrenta críticas à aliança com o Centrão.
Ciro Gomes e Marina Silva tiveram pontualmente uma maior repercussão associada às suas participações em sabatinas realizadas pela GloboNews, na semana. Marina segue criticada por sua falta de posicionamento, por exemplo, quanto à questão das privatizações, e também foi alvo de críticas por ter supostamente sugerido a volta do imposto sindical, fato desmentido, posteriormente, pela candidata. Ciro Gomes também foi criticado por seu posicionamento contrário à privatização da Petrobras, enquanto que sua proposta de Reforma Tributária que reduza privilégios dos mais ricos parece ter tido repercussão favorável.