28 out

Discussões sobre eleição movimentam 4,23 milhões de tuítes

Candidato do PSL foi citado em 3 milhões de referências; Fernando Haddad aparece em 1,58 milhão no período

Atualizado em 13 de novembro, 2018 às 11:36 am

O debate sobre as eleições presidenciais no Twitter movimentou 4,23 milhões de publicações, entre 0h e 22h deste domingo (28). Jair Bolsonaro manteve-se na liderança em referências na rede, com 3 milhões de posts, enquanto Fernando Haddad aparece em 1,58 milhão de tuítes. Por volta das 19h, com a divulgação das primeiras parciais de apuração de votos e confirmação da vitória de Bolsonaro, o volume de referências ao candidato cresceu de modo expressivo: foram 580 mil menções ao presidente eleito no intervalo entre 19h e 20h.

Jair Bolsonaro

As publicações mais retuitadas sobre Jair Bolsonaro trazem referências críticas e elogios à sua vitória, em proporção equilibrada — o post com maior repercussão parte da conta oficial do próprio presidente eleito, em que agradece ao Brasil pela votação. Perfis contrários à sua candidatura o acusam de representar o ódio e a intolerância e afirmam que seus eleitores serão responsabilizados pelas consequências supostamente negativas de sua escolha, em especial no que diz respeito aos efeitos da votação para mulheres, negros e LGBTs. Também há mensagens que destacam a necessidade de união entre os campos que não votaram am Bolsonaro. Por outro lado, usuários que o apoiam afirmam que ele é uma esperança de mudança — o relacionando, algumas vezes, à Lava-Jato —, enquanto o PT seria a certeza do fracasso. Em menor número, mas com alto volume de retuítes, perfis mais moderados lamentam o resultado do pleito, mas afirmam que esperam que o presidente faça um bom mandato.

Fernando Haddad

Entre o início da divulgação da apuração dos votos, por volta das 19h, e as 22h, Haddad registrou pouca oscilação no volume de menções. Os principais tuítes, neste período, trazem mensagens de apoio ao Nordeste, pela vitória do candidato petista na região. De modo geral, no entanto, os posts mais retuitados seguem mantendo a narrativa já verificada ao longo do dia, com as declarações de voto de personalidades públicas em destaque. A morte de um jovem durante carreata pró-Haddad no Ceará surge, ainda, como argumento para os posts que apontam uma possível abertura à violência. Neste sentido, há postagens com boa repercussão que associam ao medo de uma escalada de crimes contra minorias.

Mapa de interações

Entre as 17h e as 20h deste domingo (28), e com baixíssima presença de robôs, foram coletados 626.196 retuítes sobre os presidenciáveis, a partir dos quais foi criado um mapa de interações em que é possível observar três principais grupos em discussão. Para a análise, foram excluídas as 3.463 interações que envolveram contas automatizadas.

No período analisado, que coincidiu com as horas entre o fim da votação e a divulgação da vitória de Jair Bolsonaro, houve convergência entre bases de apoio favoráveis ao PT e que, até então na campanha eleitoral, haviam se organizado a partir da rejeição a Bolsonaro, sem explícito endosso a Haddad ou interlocução com perfis petistas. Com isso, parte considerável da base rosa uniu-se a atores do grupo de apoio do PT e migrou a um núcleo vermelho — que se posicionou como o principal do grafo, contrastando com a base de Bolsonaro, em azul.

Dessa forma, o grupo vermelho agregou o maior número de perfis (35,5%) e foi formado pela base de apoio de Haddad e demonstra preocupação com os direitos das minorias. O grupo comemora a vitória de Haddad em Berlim e territórios palestinos e associam sua possível vitória no Brasil à suposta falta de conhecimento da população. O grupo também enfatiza que, apesar da derrota do PT, haverá luta e resistência pela democracia.

De apoio a Bolsonaro, o grupo azul uniu 18,5% dos perfis e comemora a vitória de Bolsonaro, além de criticar o PT. O principal tuíte do grupo afirma não saber se Bolsonaro será bom presidente, mas diz que, pelo passado, sabe que um candidato do PT não seria. O grupo também demonstra felicidade frente à vitória dos candidatos atrelados ao Bolsonaro, além de noticiar sua vitória em Israel para contrapor à narrativa de que é contrário a minorias.

O grupo em rosa, com 18,1% dos perfis, permaneceu em oposição a Bolsonaro e com forte posicionamento de voto a Haddad no confronto com o presidente eleito, diferenciando-se da base em vermelho mais por influenciadores em destaque do que por aspectos discursivos. Com ênfase maior nas perdas gerais que o grupo vê para a sociedade brasileira do que em função específica da candidatura de Haddad, mesmo demonstrando claro apoio a este.

Por conta do apoio do youtuber Felipe Neto a Haddad, a base anti-Bolsonaro dividiu-se ainda em um grupo laranja, que repercute negativamente o resultado da eleição presidencial e em estados diferentes do Brasil, respondendo por 10,5% dos perfis. Nessa base, praticamente todos os atores principais são influenciadores e perfis próprios do ambiente de discussão do Twitter, atores emergentes da internet como esfera pública. Também há muitas postagens com piadas sobre a reação à vitória de Bolsonaro, planejamentos para os próximos anos e ironias.

Repercussão

Confirmada a vitória de Bolsonaro nas urnas, as primeiras notícias destacando sua eleição rapidamente se converteram nas de maior viralização no Facebook, com expressivo potencial de engajamento superior a milhões de interações nas próximas horas. Entre as principais notícias desta noite de domingo no Brasil, inclusive, há duas de jornais estrangeiros, “The New York Times” e “Le Monde”, que citam a posição de Bolsonaro no espectro de ascensão de governos de direita ao redor do mundo nos últimos anos.

O principal link pós-apuração, até as 22h, foi da “Veja”, anunciando que matematicamente Bolsonaro havia derrotado Haddad, mesmo pouco antes do fim da contagem dos votos. Houve 157,3 mil interações com o link do veículo, com projeção de 255 mil até as 22h; o artigo do “The New York Times” acumulou 27,5 mil interações e se projeta que estará com 86,5 mil em uma hora; o do “Le Monde” somou 12,3 mil interações e projeta estar com 82,1 mil interações até o fim do dia. Dentre os 20 links com maior volume de interações totais desde as 08h de domingo, excetuadas as reportagens já citadas, as demais destacaram resultados prévios das eleições brasileiras em outros países e as idas de Bolsonaro e Haddad às zonas eleitorais. Um link também cita pedido, por parte do Tribunal Superior Eleitoral, de explicações da organização dos shows do músico Roger Waters sobre as críticas feitas a Bolsonaro.