15 out

Debate sobre Bolsonaro e Haddad se concentra em ataques e defesas

Discussões sobre presidenciáveis geram 6,18 milhões de tuítes nos últimos quatro dias: 4,76 milhões sobre Bolsonaro e 2,18 milhões sobre Haddad; No Facebook, engajamento em página de candidato do PSL registra redução de 20%, na do petista, queda é de 12%

Atualizado em 16 de outubro, 2018 às 6:04 pm

Entre quinta-feira (11) e domingo (14), o debate sobre as eleições para a Presidência, no Twitter, gerou 6,18 milhões de menções — 4,76 milhões sobre Jair Bolsonaro e 2,18 milhões sobre Fernando Haddad. Em tendência de queda, as linhas de menções aos candidatos por dia descrevem traçados bastante semelhantes, apontando para a natural associação entre eles, em um cenário mais polarizado no segundo turno. Nesse sentido, o post mais retuitado do período em relação ao petista — e o terceiro mais retuitado em relação ao deputado — ironiza as farpas trocadas pelos dois na rede, comparando-as, em tom de brincadeira, às publicações de um casal logo após o término do namoro. O tuíte e suas variações foram compartilhados 41,8 mil vezes.

Os tuítes mais compartilhados sobre Bolsonaro envolvem ataques a sua pessoa, com repercussões de falas consideradas mais polêmicas — como um vídeo em que, supostamente, assumiria ser homofóbico —, além de críticas à possibilidade de que não compareça aos debates — das quais Bolsonaro se defende, afirmando que está em recuperação.

Discutindo entre si, de forma indireta, os perfis de Haddad e Bolsonaro se agridem mutuamente. Haddad se posiciona contra o que Bolsonaro fala acerca de “kit gay”, afirmando que se trataria de mais uma de suas mentiras, e que ele faltaria aos debates por não querer ser confrontado. O petista também fala que é um candidato honesto e democrático, enquanto Bolsonaro não teria nenhum projeto e seria autoritário.

Bolsonaro, por outro lado, tem procurado atacar tanto Haddad como Lula e o PT, além da imprensa, utilizando como estratégia discursiva a negação do que falam e veiculando afirmações e notícias voltadas a sua audiência mais convicta – como, por exemplo, críticas ao “kit gay”, defesa do cristianismo e elogios à Polícia Militar. Tuítes dos ex-presidenciáveis Guilherme Boulos (PSOL) e Ciro Gomes (PDT) aparecem entre os de maior repercussão associados ao presidenciável, ambos criticando a mistificação que envolve a figura do candidato do PSL.

Já as postagens com maior repercussão em associação a Haddad abordam temas polêmicos, como a suposta tentativa de afastamento entre o candidato e Lula e a diminuição dos tons de vermelho em sua campanha de segundo turno. A estratégia é criticada como um “disfarce” e Haddad segue apontado como um representante da vontade do ex-presidente. Há, também, referências negativas a sua participação em uma missa em São Paulo, questionada por opositores como um uso político da religião e como forma de colocar em oposição católicos e evangélicos.

O candidato petista também mobiliza mensagens de apoio, centradas, especialmente, em sua relação com avanços na área da educação. Haddad é elogiado, ainda, pela preocupação com a proteção aos animais e pela defesa da democracia e dos direitos das minorias políticas — aspecto apontado por usuários como determinante para a decisão de voto.

Facebook

A página de Bolsonaro no Facebook segue liderando em interações, com 5,44 milhões de reações, comentários e compartilhamentos entre quinta e domingo. Haddad mobilizou 2,8 milhões no mesmo período. Bem como no Twitter, ambos encontram-se em tendência de queda. No entanto, o candidato do PSL registra redução mais acentuada — sua página engajou menos 20,3% do que nos quatro dias anteriores; a do petista, 12% menos. No sábado (13), as duas páginas registraram momento de maior aproximação em engajamento.

Em relação à base de seguidores, Haddad chegou a 1,37 milhão de fãs — crescimento de 12,7% em relação aos quatro dias anteriores. Bolsonaro seguiu praticamente estável, com elevação de 1,3% em volume de seguidores, alcançando 7,54 milhões de fãs.