28 out

Fraude nas urnas e ‘kit gay’ têm mais impacto que outras notícias falsas

Em 1 mês, os temas mobilizaram mais de um milhão de menções no Twitter e, no Facebook, superaram 2 milhões de interações;No YouTube, foi expressivo o impacto de vídeos sobre fraude nas urnas eletrônicas, com mais de mil vídeos e 37,5 milhões de visualizações

Atualizado em 1 de novembro, 2018 às 7:05 pm

 

  1. O debate no Twitter

A FGV DAPP analisou as referências às principais notícias falsas em redes sociais abertas — Twitter, Facebook e Youtube — no último mês para mensurar o alcance que obtiveram em cada plataforma e qual a resposta da rede aos conteúdos — se foram objeto de checagem, se houve compartilhamento dos desmentidos, se as informações não procedentes continuaram com impacto após o surgimento na web.

Entre as notícias falsas, a suposta fraude nas urnas eletrônicas foi a mais citada no Twitter. De 22 de setembro a 21 de outubro, foram 1,1 milhão de tuítes sobre a suposta insegurança dos dispositivos, difundida tanto em postagens que pedem a volta do voto impresso, quanto em relatos de “erros” que teriam sido verificados pelos eleitores no primeiro turno.

O chamado “kit gay” também mobilizou cerca de 1 milhão de referências na rede. Os posts repercutem a informação falsa de que Fernando Haddad, durante sua gestão no Ministério da Educação, teria autorizado a criação do material. Tuítes  reprovam o que seria, segundo parte dos usuários, uma estimulação precoce da sexualidade, e à “ideologia de gênero”.

A terceira notícia falsa em menções no Twitter — com volume de referências bem menos expressivo  — aborda mentiras sobre um dos livros publicados pelo candidato petista: “Em defesa do socialismo”. Foram 48,7 mil referências. Entre as informações falsas, estão a afirmação de que ela defenderia o incesto e que traria o “decálogo” do comunismo.

Publicações falsas associadas a Jair Bolsonaro tiveram alcance mais tímido. A especulação sobre o candidato ter “simulado” seu atentado para disfarçar uma cirurgia oncológica foi o boato que mais mobilizou no período, com 34,6 mil registros. Já a mudança da padroeira do Brasil, alardeada, falsamente, como proposta sua, foi citada 16,7 mil vezes. Por fim, a notícia de que Bolsonaro seria o político mais honesto do mundo teve 6,5 mil menções.

  1. Engajamento de notícias

As 50 notícias sobre cada um dos sete temas monitorados alcançaram mais de 6,4 milhões de interações no Facebook e no Twitter no mesmo período de um mês ‒ entre reações, comentários e compartilhamentos. As publicações sobre supostas fraudes em urnas eletrônicas mobilizaram maior engajamento, com 3,34 milhões de interações. Em seguida, vêm as notícias sobre o chamado “kit gay” (2,37 milhões); as informações falsas sobre o livro de Haddad (243,3 mil) e a afirmação de que ele descriminalizaria a pedofilia (208,6 mil).

Notícias falsas associadas a Bolsonaro tiveram menor engajamento: a suposta eleição do candidato como o político mais honesto do mundo teve 135,1 mil interações no Facebook e no Twitter. Já a especulação sobre uma possibilidade de mudança da padroeira do Brasil registrou 72,9 mil interações, enquanto a mentira sobre um tumor que o ex-capitão teria escondido teve 22,5 mil reações, comentários e compartilhamentos.

Entre os links analisados, 17 continham informações falsas, imprecisas ou enganosas, mobilizando 1,07 milhão de interações no Twitter e Facebook.  Notícias falsas sobre supostas fraudes nas urnas também tiveram maior engajamento nesse recorte: 996,6 mil interações. Em seguida, aparecem links sobre o “kit gay” (77,7 mil), a padroeira do Brasil (2,2 mil), o livro de Haddad (1,6 mil) e o câncer de Bolsonaro (385).

  1. Visualizações no Youtube

No YouTube, também vídeos sobre o kit gay e a suspeita de fraude nas urnas foram os de maior compartilhamento e impacto, seja para defender as duas notícias falsas, seja para questioná-las ou refutá-las. Considerando vídeos publicados entre 22 de setembro e 21 de outubro com referências às notícias falsas no título das postagens, foram identificados 1.090 vídeos sobre denúncias de fraude eleitoral, comprometimento de urnas eletrônicas e voto impresso, que geraram 37,5 milhões de visualizações. O tema foi significativamente maior que os demais no Youtube, e a ampla maioria dos vídeos reitera as suspeitas de fraudes.

Sobre o kit gay foram identificados 177 vídeos com referências, que geraram 1,49 milhão de visualizações. Os demais temas tiveram alcance bem menor no Youtube. O suposto câncer de Bolsonaro é citado em cinco vídeos, que geraram 111,6 mil visualizações, enquanto quatro vídeos refutam a notícia de que o candidato do PSL deseja trocar a padroeira do Brasil, substituindo Nossa Senhora Aparecida — com 13,8 mil visualizações. Já sobre a informação de que livro de Haddad fazia apologia ao incesto, foram 26,3 mil visualizações de onze vídeos, com metade negativos ao petista e metade em defesa do candidato. Vídeos que relacionam explicitamente Haddad à pedofilia foram seis, com 5,4 mil visualizações.