29 nov

Grupo de apoio ao presidente eleito cresce em debate sobre o novo governo

Perfis repercutem nomeação de ministros e articulações de política externa, em especial a associação aos Estados Unidos; grupo sem alinhamento partidário se fragmenta em discussão sobre governo de Bolsonaro

Atualizado em 30 de novembro, 2018 às 12:24 pm

Após meses de estável posicionamento intermediário aos dois lados de maior proeminência no espectro político, a base de perfis não alinhados a nenhum dos eixos partidários, sempre demarcada pela cor rosa nos mapas de interações da FGV DAPP, enfim começa a se fragmentar. Em partes, essa base foi incorporada pelo grupo vermelho, de oposição ao futuro governo, e de resto permanece menos organizada a partir de pautas ou influenciadores. Tornou-se, portanto, fragmentada por diferentes esferas específicas e isoladas de debate sobre a nova gestão federal, a partir de 2019.

> Confira a íntegra do DAPP Report — A semana nas redes

Com isso, recrudesceu, do outro lado, o predomínio do núcleo azul nas discussões sobre o presidente eleito Jair Bolsonaro — com o próprio presidente e seus filhos enquanto condutores mais importantes da agenda temática no Twitter. De 22 a 27 de novembro, foram 953.776 tuítes coletados sobre o futuro governo, e, no mapa composto por 659.309 interações (já filtradas as contas automatizadas), 39,8% dos perfis e 63% das interações são provenientes da base em azul, um aumento de 8 e de 10 pontos percentuais, respectivamente, em relação à semana anterior. O grupo segue repercutindo, no plano das agendas de governo, a saída de Cuba do programa Mais Médicos, a nomeação de ministros e articulações de política externa, em especial a associação a Estados Unidos, Israel, China e países árabes.

 

No grupo em vermelho (27,7% dos perfis e 25% das interações), que reúne lideranças políticas de partidos à esquerda, repercutem reportagens da imprensa tradicional e são agregados influenciadores de oposição que, antes, encontravam-se no grupo em rosa. O núcleo rosa permanece, embora esparso, com 15,9% dos perfis, mas somente 4,9% dos retuítes — portanto, muito menos ativo nas discussões sobre o futuro governo de Bolsonaro.

Ambos os grupos, no plano temático, também respondem a pautas engajadas a partir da composição de ministérios, das mudanças no Mais Médicos e da política externa, com dois outros tópicos também em forte importância: a remuneração do funcionalismo, em função do reajuste do salário dos ministros do Supremo Tribunal Federal e da suspensão do auxílio-moradia; e a educação pública, repercutindo ainda a indicação de Ricardo Vélez Rodríguez para o MEC, o projeto Escola sem Partido e questões vinculadas a conteúdos de ensino. A não resolução do assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes persiste como outro tópico importante do grupo.

Por fim, segue significativo um grupo em amarelo, menor que os demais, e próximo à base azul pró-Bolsonaro, que congrega 6,1% dos perfis e 2,5% das interações. Formado por perfis que satirizam contas oficiais de Twitter da imprensa, divulgam piadas e memes com críticas aos governos do PT e à esquerda, questionando suposto exagero por parte da cobertura midiática em relação às decisões e nomeações do presidente eleito. O núcleo em amarelo também reúne influenciadores digitais à direita que debatem agendas temáticas de forma sobretudo sarcástica.