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Grupo majoritário no debate não tem preferência por candidato

DAPP Report mostra que embate de Marina com Bolsonaro em debate impulsiona aumento de 126% nas menções à candidata; Bolsonaro tem queda de 8,7% na comparação com o último DAPP Report

Atualizado em 24 de agosto, 2018 às 4:12 pm

Marina Silva, após o embate com Jair Bolsonaro no debate da última sexta-feira (17), na Rede TV!, obteve pela primeira vez notável impulso de presença nas discussões eleitorais nas redes sociais — e sob forte impacto de discussões sobre gênero e religião, aponta nova edição do DAPP Report – A semana nas redes. A candidata da Rede, que até então apresentava volumes baixos de engajamento no Facebook e de menções no Twitter, atingiu novo patamar em ambas as redes, mobilizando mais seguidores e engajando volume muito maior de referências. Se, antes dos dois debates já televisionados, Marina raramente obtinha mais de 10 mil citações no Twitter por dia, desde o confronto com o deputado federal passou a dobrar esse volume, atingindo o mesmo nível de participação de Ciro Gomes e Geraldo Alckmin nas discussões políticas na rede.

>> Confira a íntegra do DAPP Report – A semana nas redes

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Lula, ausente dos debates, voltou a encostar em Bolsonaro quanto à presença no Twitter, após semanas de queda no volume de referências. As últimas pesquisas eleitorais, que apontam melhora nas intenções de voto do petista, contribuíram com a expansão de Lula nas discussões, assim como a recomendação, pelo Comitê de Direitos Humanos da ONU, de que Lula pudesse se candidatar à Presidência. A esses dois assuntos de expressiva repercussão somou-se a forte campanha de divulgação, por perfis partidários e de militância, de publicações críticas à ausência da chapa do PT na Rede TV!

Próximos nos dados das pesquisas de opinião, Ciro e Alckmin tiveram desempenho parecido no Twitter desde a última sexta (17), inclusive quanto aos temas de que mais participam nas discussões. No Facebook, contudo, Ciro já consegue atrair mais engajamentos que Alckmin, assim como Guilherme Boulos, que é menos citado que ambos no Twitter e tem conseguido se destacar regularmente durante participações na TV.

Outro ausente do debate na Rede TV!, João Amoêdo persiste com volume médio de menções por dia superior a 15 mil no Twitter, e expressivo número de interações obtidas no Facebook, semelhante ao de Lula (quase 1,7 milhão de interações), embora faça menos postagens que o ex-presidente.

Mapa de interações

Para construir um mapa de interações, foram coletados entre os dias 15 e 21 de agosto 4.440.629 tuítes e 3.075.687 retuítes sobre presidenciáveis e as eleições. Destes, foram filtradas as interferências ilegítimas no debate — 267.678 retuítes (8,7%) que envolvem contas identificadas pela FGV DAPP como robôs — e mantidas apenas as 2.808.009 interações orgânicas. Foram observados quatro grupos principais que participam do debate (dois a menos que na análise da semana passada).

Mapa de interações sem robôs sobre os presidenciáveis
2.808.009 retuítes | data de análise: 15.ago a 21.ago

Fonte: Twitter | Elaboração: FGV DAPP

Tabela de dados do debate total (com robôs)

Fonte: Twitter | Elaboração: FGV DAPP

Grupo rosa
É o grupo que mais agrega perfis no período analisado (54,4%), mas, em termos de interações, fica em terceiro lugar, gerando apenas 24,1% do volume de retuítes. O grupo não demonstra preferência clara por um candidato, apesar de apresentar rejeição explícita a Jair Bolsonaro — os principais tuítes falam mal do candidato e de seus eleitores, compartilhando mensagens em forma de piadas. Por conta do embate entre Marina e Bolsonaro no debate, a candidata também foi muito mencionada no grupo e de forma positiva. Os perfis do grupo também elogiam a separação feita por Marina entre suas crenças pessoais e o estado laico.

Grupo azul
Segundo maior grupo em número de perfis (17,7%), o azul é o mais ativo dos grupos, sendo responsável por 43,5% das interações. De forma geral, os perfis demonstram apoio a Bolsonaro, e os principais tuítes do grupo são do perfil do próprio candidato, que fala sobre assuntos diversos. O tuíte mais compartilhado do deputado critica a ONU por conta da recomendação de seu Comitê de Direitos Humanos de que Lula participe das eleições. O grupo também compartilha algumas enquetes sobre intenções de voto online, defendendo a ideia de que as atuais pesquisas eleitorais seriam enviesadas. Também é mencionada a questão da imigração venezuelana em Roraima que, segundo mensagem da jurista Janaína Paschoal, não teria ocorrido caso o governo do PT não tivesse enviado dinheiro para Nicolás Maduro. O grupo repercute ainda a crítica do pastor Silas Malafaia a Marina Silva.

Grupo vermelho
Com 16,7% dos perfis em debate durante o período, ficando em terceiro lugar neste quesito, o grupo é o segundo em interações: 25,7%. Os perfis possuem um alinhamento político à esquerda e têm como principais influenciadores Lula, Fernando Haddad e o perfil oficial do PT no Twitter. Dentre as mensagens mais compartilhadas, encontram-se menções de defesa à candidatura do ex-presidente. Aparecem ainda algumas postagens de Evo Morales e Nicolás Maduro defendendo a candidatura de Lula. A recente manifestação do Comitê de Direitos Humanos da ONU pela candidatura do ex-presidente também é compartilhada pelo grupo.

Grupo laranja
É o grupo que menos conseguiu unificar usuários (7,8%), e também o que menos gerou debate (6,1%). Os perfis demonstram apoio à candidatura de João Amoedo, que é também o principal influenciador do grupo. Também compartilham mensagens que criticam a candidatura do ex-presidente Lula.

Contas automatizadas
Do debate total, 0,4% dos perfis foram identificados como robôs e geraram cerca de 8,7% das discussões (267.678 retuítes). Apesar de terem sido encontrados apenas 620 perfis automatizados no grupo azul e 699 no grupo vermelho, os robôs do grupo azul são os mais ativos, gerando mais interações: 134.087 (216 interações por robô). No entanto, como já destacado, o grupo vermelho não aparece muito atrás, somando 117.203 interações (167 interações por robô), indicando um forte engajamento dos robôs do grupo azul e vermelho quando comparados a outros grupos, que apresentaram uma média bem mais baixa de interações com robôs.