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Influência de WhatsApp na eleição mobiliza 2,57 milhões de tuítes

Reportagem sobre disparo de mensagens favoráveis a Bolsonaro foi principal tema, com 571,5 mil tuítes relacionados ao WhatsApp

Atualizado em 26 de outubro, 2018 às 1:10 pm

Na reta final do segundo turno, o WhatsApp se converteu em pauta principal do debate sobre os candidatos à Presidência, com impacto notável na discussão pelas demais redes sociais — que sinalizam as tendências e agendas de maior relevância na discussão política do país via web. Sempre presente nas menções do Twitter, o aplicativo vem crescendo em repercussão como assunto eleitoral, e, na terceira semana de outubro, atingiu ápice: de 1º a 21 de outubro, houve 2,57 milhões de referências ao WhatsApp na rede, das quais 1,57 milhão somente desde o dia 15.

Já no começo de outubro, pouco antes do primeiro turno, passou a aumentar no Twitter debate sobre o aplicativo de conversas. Até então, discutia-se o impacto de correntes e de grupos privados no compartilhamento de notícias e dados falsos, com forte teor de ironia a usuários que acreditavam no conteúdo que recebiam e definiram seus votos a partir de informações não verificadas. Com o resultado das urnas, essa discussão passou a comportar especulações sobre o efeito positivo das informações que circularam no aplicativo para aliados de Jair Bolsonaro, conforme as vitórias surpreendentes, não antevistas pelas pesquisas de opinião.

No dia 18, as menções ao WhatsApp começaram a subir de forma vertiginosa, em função de reportagem da “Folha de S. Paulo” com denúncia de que empresários contrataram pacotes de disparo de mensagens favoráveis a Bolsonaro. Desde então, o aplicativo passou a concentrar atenções no Twitter: 380 mil tuítes ainda na quinta; 495 mil na sexta (19), com a repercussão da reportagem e novos desdobramentos; 313 mil no sábado (20). No total, desde 1º de outubro, Bolsonaro foi citado em 17% das referências ao WhatsApp, ante 8% de Haddad.

A reportagem da Folha despontou como principal subtópico de associação ao WhatsApp no período, a partir da divulgação da denúncia: já são 571,5 mil tuítes que citam o aplicativo em correlação com críticas e posicionamentos de defesa sobre Bolsonaro, destacando a acusação de “caixa dois”, o uso de estruturas de marketing para disparar mensagens a grupos e o apoio de empresários ao candidato. A hashtag #caixa2dobolsonaro tem 79 mil recorrências associadas ao WhatsApp no Twitter. Muito usuários também ironizam a crítica ao candidato, afirmando que divulgam mensagens de graça e de forma orgânica.

As menções ao Tribunal Superior Eleitoral e às respostas que a Justiça deve dar ao uso do WhatsApp para fazer campanha e divulgar informações foram objeto de 103,7 mil tuítes, majoritariamente citando as ações do TSE, cobranças às autoridades do Judiciário e questionamentos acerca da legislação eleitoral. Demandas de partidos para a fiscalização do aplicativo, como a empenhada pelo Psol, também foram destacadas, com críticas (predominam) e elogios à iniciativa da legenda. Opositores de pedidos de interferência no uso da plataforma destacam que se trata de uma tentativa de censura, defendendo Bolsonaro.

Contígua a ambas as discussões citadas, o debate sobre a dispersão de fake news pelo WhatsApp, anterior à reportagem da Folha, persiste importante e com impacto na discussão sobre o aplicativo, tendo acumulado 532,9 mil tuítes desde 1º de outubro. Há forte polarização quanto à associação entre o WhatsApp e a propagação de fake news, com acusações e críticas de ambos os lados, que atribuem ao adversário o uso de ferramentas de desinformação para prejudicar a lisura das eleições. Perfis contrários a Bolsonaro citam o impacto de memes, textos e vídeos compartilhados entre grupos privados com informações incorretas sobre candidatos, como Fernando Haddad, Ciro Gomes e João Amoêdo. Contas pró-Bolsonaro afirmam que sites e jornais da imprensa tradicional são os principais responsáveis por publicar notícias falsas sobre o deputado federal do PSL e propagar fake news.

Outro tema de notável impacto, desde o começo das eleições, é o reflexo da polarização dentro de famílias e grupos de amigos no WhatsApp, que reverbera a força do aplicativo como forma de disseminar conteúdos políticos em ambientes fechados e particulares dos cidadãos. Citam-se brigas entre parentes, pessoas que deixaram grupos e pararam de se relacionar com amigos e conhecidos por causa das eleições, muitas vezes em tom de piada — houve 215,9 mil menções a esse subtópico. Perfis também lamentam o posicionamento de parentes e pessoas próximas e a facilidade com que informações não checadas são aceitas como verdadeiras, uma vez que são compartilhadas no aplicativo.