14 nov

Moro continua sendo o ator político associado a Bolsonaro de maior impacto

Paulo Guedes teve mais que o dobro de menções em comparação à semana anterior e Joaquim Levy foi citado mais de 37 mil vezes

Atualizado em 5 de dezembro, 2018 às 3:01 pm

Desde o fim do segundo turno, o debate político se reorganizou em função da vitória de Jair Bolsonaro, a despeito de ainda manter, na web, articulação polarizada entre grupos que apoiam ou fazem oposição ao presidente eleito. Os núcleos de suporte a Bolsonaro, assim como já identificado semana passada, estão aumentando, agora com dois subgrupos em que o presidente eleito atua como principal influenciador: um em azul, que agrega 14,3% dos perfis e 13% das interações, e um ainda maior, em azul-claro, que entre este domingo (11 de novembro) e terça-feira (13) foi o que mais teve interações (36,8%) e reuniu 13% dos perfis, em um total de 839.283 retuítes coletados para o mapa de interações.

> Confira a íntegra do DAPP Report – A semana nas redes

A base em rosa, que agrega perfis contrários a Bolsonaro, mas de alinhamento independente, além de contas que interagem com perfis da imprensa e com influenciadores próprios do ambiente de redes sociais, reside como núcleo de maior força em oposição ao presidente eleito — fazendo forte uso de piadas, memes e ironias quanto a iniciativas do governo Bolsonaro para criticá-lo. Entre domingo e terça, o núcleo rosa reuniu 37,9% dos perfis e 19,2% das interações, enquanto o grupo alinhado a perfis do PT, em vermelho, concentrou 18,9% dos perfis e 22,7% das interações.

Outro grupo emergente desde o fim de outubro, em verde, continua com presença significativa, tendo à direita espaço semelhante ao ocupado pelo grupo rosa à esquerda: críticos a perfis de oposição a Bolsonaro, não se alinham diretamente ao presidente eleito e usam o noticiário político para satirizar a esquerda e defender posições, compartilhando mensagens de perfis de humor sobre a imprensa.

O debate no Twitter na semana

De 08 a 13 de novembro, Jair Bolsonaro foi mencionado em 3 milhões de publicações no Twitter, e persiste a organização estrutural do futuro governo do presidente eleito como o eixo central de debate nas redes sociais. Com, no entanto, mudanças quanto aos atores de maior destaque, apesar de o juiz Sérgio Moro — futuro ministro da Justiça — continuar como o nome de mais forte impacto e volume na web (nesse período, Moro foi citado 311,3 mil vezes, menos que as 504 mil menções na semana anterior). Movimento oposto verificou-se sob o plano econômico do governo de Bolsonaro, com o futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, aparecendo com 121,4 mil tuítes — mais que o dobro da semana anterior — e Joaquim Levy, ex-ministro da Fazenda de Dilma Rousseff e convidado para assumir o BNDES, citado mais de 37 mil vezes em pouco mais de 48 horas.

Outro ator cujo debate esteve aquecido foi o senador Magno Malta, que não tem posição ministerial confirmada até o momento. A especulação sobre o que fará no governo de Bolsonaro em 2019 é o principal subtema, e Malta é criticado por perfis de oposição ao presidente eleito e por apoiadores, por conta da participação em governos anteriores ao PT. O futuro chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, também ampliou presença no Twitter, citado a partir da troca de tuítes com o embaixador da Noruega, Nils Martin Gunneng, de menções ao caixa dois e da posição de articulador principal de Bolsonaro, ainda em cenário de decisões na composição de ministérios e seus ocupantes.

Substituído o debate de corrupção pela economia como principal macrotema associado a Bolsonaro, diferentes subtemas foram contribuintes, para além dos anúncios e mudanças na condução econômica para o próximo ano. O de maior relevância foi o impacto do reajuste dos ministros do Supremo Tribunal Federal (63,5 mil tuítes), foco de fortes críticas entre todos os grupos do debate político, e que se relaciona diretamente com discussões sobre Reforma da Previdência e déficit fiscal. Com a indicação de Levy, também recrudesceu o debate sobre o impacto financeiro da corrupção no BNDES e sobre privatização de estatais e enxugamento da máquina pública.

Em segurança pública, outro macrotema que aumentou presença no Twitter esta semana, os principais subtópicos de relevância foram a discussão sobre a flexibilização do porte de armas, a repercussão de declarações do chefe das Forças Armadas, general Eduardo Villas-Bôas, a respeito da ida de militares para o governo de Bolsonaro, e a nomeação do general Fernando Azevedo e Silva para o Ministério da Defesa. O ataque a tiros em um bar do estado da Califórnia, nos Estados Unidos, repercutiu negativamente no Brasil ligado ao debate sobre o desarmamento.