23 nov

Debate sobre Mais Médicos impulsiona tema Saúde pública

Decisão do governo cubano de reconvocar os profissionais que atuam no país despontou como elemento central das discussões no Twitter, tanto entre opositores quanto entre apoiadores do futuro presidente

Atualizado em 10 de dezembro, 2018 às 11:39 am

Sem protagonismo durante a corrida eleitoral, o tema de saúde pública adquiriu importância no debate político no fim da semana passada, com a saída dos médicos cubanos do programa Mais Médicos. Em todos os principais núcleos de discussão do mapa de interações deste período, com dados entre 14 e 21 de novembro e que soma 2.081.309 retuítes (já filtrados robôs), a decisão do governo cubano de reconvocar os profissionais que atuam no país despontou como elemento central das discussões no Twitter, tanto entre opositores quanto entre apoiadores do futuro presidente.

> Confira a íntegra do DAPP Report — A semana nas redes

Com isso, muitas diferentes agendas de saúde pública ligadas à situação do Mais Médicos ganharam destaque entre influenciadores e cidadãos pela primeira vez em meses no debate público da rede. Não apenas, ressalte-se, sob o espectro temático da saúde, mas com impacto em outros temas de importância, como educação, economia e política externa. O grupo azul, que concentra a base do presidente eleito Jair Bolsonaro, continua em posição majoritária em relação aos demais que discutem sobre o futuro governo, reunindo 31,7% dos perfis e 53% das interações.

Oito em cada dez tuítes dentre os 40 mais compartilhados pelo grupo são de Bolsonaro ou de seus filhos, com intensa interação dos perfis do núcleo com posicionamentos e anúncios feitos pelo futuro presidente. Com a notícia de saída de Cuba do Mais Médicos, a maior parte das postagens de ampla repercussão destacou o assunto, reproduzindo o que Bolsonaro e aliados postaram sobre o assunto. A definição do novo ministro da Educação (outro tema de pouca relevância durante as eleições) também se destacou, e uma parte do grupo azul se organizou em função de piadas e de perfis de humor de influenciadores à direita, que satirizam a esquerda e as críticas feitas ao projeto de governo de Bolsonaro.

Também pequeno no mapa, mas significativo, um grupo de debate em espanhol, com perfis de outros países da América Latina que interagem com o futuro presidente, respondeu por 2,7% dos perfis e 1% das interações. Neste núcleo, em amarelo, foi muito expressiva a repercussão da saída de Cuba do Mais Médicos, com questionamentos ao governo cubano, defesa das falas de Bolsonaro sobre o caso e debate sobre questões políticas e econômicas de países da região.

Os dois grupos que organizam as bases de oposição ao futuro governo continuam divididos entre alinhados e não alinhados especificamente a partidos ou políticos de esquerda (o grupos em vermelho e em rosa, respectivamente). No grupo em rosa, que concentrou (41,2% de perfis e 18% de interações), a agenda de saúde vinculada ao Mais Médicos foi forte, mas menos predominante que nos outros núcleos do debate, dividindo espaço com educação, economia (reformas e direitos trabalhistas) e questões identitárias, como homofobia e racismo. No grupo em vermelho (18,7% dos perfis e 26,3% das interações), dividiu espaço com segurança pública (tema impulsionado pela repercussão de investigação sobre o assassinato de Marielle Franco), relações internacionais e a composição ministerial.