08 nov

Nomeação de Moro para Ministério da Justiça acumula mais de 500 mil tuítes e é destaque no debate sobre Governo Bolsonaro

Corrupção e agenda econômica são os dois temas de maior impacto associados à transição para o governo do presidente eleito; Agronegócio, Reforma da Previdência e carga tributária foram os mais relevantes no debate econômico, além do aumento do salários dos ministros do STF

Atualizado em 8 de novembro, 2018 às 6:22 pm

Conforme vai se organizando em torno de Bolsonaro e de seu futuro governo o debate político no Twitter, diminui a atuação de uma base de oposição alinhada ao PT, com o grupo de perfis contrários ao presidente eleito, mas não petistas, se posicionando como grupo mais forte de contraposição ao núcleo pró-Bolsonaro. De 1º a 06 de novembro, foram 3.124.259 retuítes sobre Bolsonaro, já descontadas interações automatizadas — que somaram 143.498 postagens. O grupo azul, de apoio ao futuro presidente, reuniu o maior percentual de interações do debate (54,25% dos retuítes, superior à soma dos demais grupos) e 31% dos perfis.

> Confira a íntegra do DAPP Report – A semana nas redes

Na oposição, o grupo vermelho, pró-PT, concentrou 19,1% dos perfis e 26% das interações. Segue bastante ativo e relevante, mas o grupo rosa, de não alinhados e independentes, e que tem interagido de forma mais regular com perfis da imprensa tradicional, agrega 37,7% dos perfis do grafo (quase o dobro). Em relação ao volume de mensagens, esse núcleo em rosa continua com menor participação: 15,8% dos retuítes.

Por fim, há que se destacar um grupo em amarelo que, já inicialmente identificado na última semana, não atua diretamente no mesmo grupo de Bolsonaro, mas destaca críticas a seus opositores, comenta notícias sobre o futuro governo e se posiciona em oposição à esquerda. Teve, de 1º a 07 de novembro, 4,2% dos perfis e 1,8% das interações do grafo.

O debate no Twitter na semana

De 1º a 07 de novembro, Jair Bolsonaro foi citado em 3,78 milhões de publicações no Twitter. O convite ao juiz Sergio Moro para o Ministério da Justiça teve grande repercussão: quase 15% das referências ao presidente eleito incluem também o futuro ministro. Foram cerca de 504 mil tuítes sobre Moro que reúnem críticas – especialmente relacionadas à condenação de Lula (o ex-presidente é citado em cerca de 102 mil menções ao juiz da Lava-Jato) – e elogios, que apontam o aceite como uma “chancela” das boas intenções de Bolsonaro em relação a uma de suas principais bandeiras de campanha: o combate à corrupção.

O vice-presidente de Bolsonaro, general Hamilton Mourão, é o segundo ator mais associado ao presidente eleito neste início de transição, com 89,8 mil referências. Além de críticas e memes sobre seu “autoritarismo” e sobre o impacto por vezes negativo de falas polêmicas, o militar também é mencionado positivamente em razão de entrevistas que concedeu à imprensa estrangeira e da criação de seu perfil pessoal no Twitter.

Em terceiro neste ranking, está o senador Magno Malta (62,7 mil tuítes), cotado para assumir um eventual novo Ministério da Família, que suscitou polarização na rede, sendo apontado como apoiador fiel de Bolsonaro e bom cristão, por um lado, e como possível envolvido em esquemas associados à “velha política”, por outro. Nessa disputa, as hashtags #magnomaltanão (com 8,1 mil tuítes) e #magnomaltasim (com 5,4 mil) ganharam espaço.

Na primeira semana de novembro, o principal macrotema que pautou as postagens sobre Jair Bolsonaro foi Corrupção, em grande medida, devido ao anúncio de Sergio Moro como novo ministro da Justiça, compreendido por parte dos usuários como sinalização de rigor no combate ao problema. Em seguida, vem Economia, com um debate bastante multifacetado, englobando, por exemplo, discussões sobre a Reforma da Previdência e o desemprego.

Segurança pública traz como destaques tanto as declarações do próprio presidente eleito sobre a necessidade de atuar na redução da criminalidade como também críticas ao nome do deputado federal Julian Lemos para a equipe de transição, devido a investigações envolvendo denúncia de agressão à irmã e à ex-mulher do deputado federal eleito pela Paraíba. Educação, por sua vez, traz tuítes com teor crítico aos professores em apoio às ideias do “Escola sem Partido”, além de referências ao chamado “kit gay”, algumas em apoio a Bolsonaro e outras destacando as notícias falsas envolvendo o tema.

O debate econômico

Nesta semana, o debate econômico foi impulsionado sobretudo por três temas: impostos, agronegócio e Reforma da Previdência. Esse resultado se deu por conta, no que diz respeito à questão agrária, da definição da ministra da pasta, Tereza Cristina, e do debate sobre a possível fusão com o Ministério do Meio Ambiente. Em relação a impostos e ao tópico de Previdência, houve entrelaçamento dos dois temas; ambos tiveram um pico de interações em 02 de novembro ‒ 44,3 mil e 35,7 mil interações, respectivamente. O destaque do debate no Twitter foi a criação de novos impostos ‒ uma possível recriação da CPMF, por exemplo ‒ para financiar a Previdência.

A Reforma da Previdência foi influenciada principalmente pela centralidade do assunto na agenda econômica de Bolsonaro. Dentro do debate no Twitter, houve comparações entre a reforma previdenciária brasileira e o modelo chileno, além do impacto crítico da aprovação no Senado do aumento do salário dos ministros do STF, que também gerou repercussão. Os perfis da plataforma associaram ainda o aumento salarial ao tema do desemprego ‒ devido à difícil situação dos milhões de desempregados do país.