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Petrobras, investimentos sociais e Reforma Trabalhista são destaques

O pré-candidato mais mencionado na economia foi Bolsonaro, seguido por Lula, Alckmin e Ciro

Atualizado em 9 de agosto, 2018 às 6:35 pm

Privatização da Petrobras, investimentos públicos em educação e programas sociais e a Reforma Trabalhista foram temas que nortearam o debate da pauta econômica em torno dos presidenciáveis na semana, mostra nova edição do DAPP Report – A semana nas redes. O pré-candidato mais mencionado na economia foi, novamente, Jair Bolsonaro, devido a dois principais temas: sua entrevista para a GloboNews na última sexta (03) e o anúncio oficial do seu vice, General Hamilton Mourão.

>> Confira a íntegra do DAPP Report – A semana nas redes
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Em relação à entrevista, o tema mais recorrente foi a privatização da Petrobras (8,5% do debate econômico em torno do candidato na semana menciona a estatal). Apesar de pessoalmente contrário, o candidato afirmou que a privatizaria, se não houvesse outra solução. Posteriormente, sua promessa de que daria autonomia total à Polícia Federal para investigar a Petrobras e o BNDES teve forte repercussão, sobretudo entre os perfis já engajados com o candidato.

Já em relação ao seu vice, repercutiu nas redes sociais a declaração de Mourão de que toparia diminuir o programa Bolsa Família. O pico foi no dia 6 de agosto, quando 14,1% das menções ao candidato também mencionaram o programa. Essa declaração foi fortemente compartilhada por críticos ao pré-candidato, em especial a partir de retuítes do também presidenciável Guilherme Boulos, que faz uma comparação entre essa declaração e o auxílio-moradia recebido por Bolsonaro, questionando, portanto, as escolhas de alocação dos recursos públicos.

No que se refere ao ex-presidente Lula, pré-candidato pelo PT, as menções foram elevadas em razão do anúncio oficial da chapa, que conta com Fernando Haddad e Manuela D’Ávila. O principal tema (15,2% das menções ao pré-candidato no debate econômico) foi o investimento público em educação, com tuítes que ressaltam resultados positivos da gestão de Haddad como ministro da pasta no governo Lula, em especial no ensino superior. A repercussão foi especialmente positiva pela contraposição ao recente anúncio de escassez de recursos para pagamento de bolsas de pós-graduação, o que também rendeu uma crítica ao chamado “teto de gastos” (Emenda Constitucional 95).

Esse tema, aliás, foi um dos principais assuntos discutidos em torno de Geraldo Alckmin, que é o terceiro pré-candidato mais citado no debate econômico, apesar de mostrar uma tendência de queda. Sua declaração favorável ao pagamento de cursos de pós-graduação em universidades públicas rendeu forte repercussão crítica nas redes sociais (9,4% do debate econômico em torno do pré-candidato), o que pode ter sido alavancado exatamente pelo timing da discussão sobre o corte de gastos em bolsas previsto para 2019. Além disso, sua proposta de extinção do Ministério do Trabalho rendeu em torno de 10% da sua repercussão no debate econômico da semana, o que também foi criticado, em especial por reforçar sua aproximação com a orientação do governo Temer e a Reforma Trabalhista por ele implementada. Por outro lado, a associação entre a definição do vice (senadora Ana Amélia) e o bom desempenho da bolsa de valores, trouxe repercussão positiva.

O debate em torno de Ciro Gomes trouxe novamente à tona o tema da economia: o pré-candidato foi criticado, sobretudo por apoiadores de Jair Bolsonaro, por sua proposta de retirar pessoas do SPC (Serviço de Proteção ao Crédito), em especial por meio de questionamentos sobre como isso seria operacionalizado. Além disso, sua posição favorável à revisão da Reforma Trabalhista foi objeto de discussões, em tom predominantemente positivo, mas o anúncio da sua vice, a senadora Kátia Abreu, foi visto majoritariamente como uma contradição ao seu discurso. Esse tema foi objeto de cerca de 10% das menções a Ciro no debate econômico da semana. Por fim, vale observar que Henrique Meirelles se mantém em quinto no debate econômico, apesar de ser pouco mencionado no debate em geral, o que se deve à vinculação do candidato a pautas de cunho econômico. Além disso, Marina Silva, que estava na sexta posição na semana passada, caiu para a oitava posição.

 

*Nota metodológica

 

O DAPP Report é uma publicação sem vinculação política ou partidária, produzida pela Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getulio Vargas (FGV DAPP), que tem o objetivo de disponibilizar uma análise do cenário político brasileiro a partir do debate público nas redes sociais.

As análises produzidas neste Report não visam representar pesquisa eleitoral, e sim aferir a percepção social, no ambiente digital, acerca de temáticas da agenda pública, tais como atores políticos e pautas de políticas públicas. Portanto, não autorizam o seu uso para finalidades políticas, partidárias ou endosso de posições particulares. Mais informações acerca deste trabalho podem ser acessadas em observa2018.com.br/metodologia.

A metodologia de análise de redes sociais desenvolvida pela FGV DAPP e aplicada a este relatório pode ser aferida na publicação “Nem tão #simples assim: o desafio de monitorar políticas públicas nas redes sociais”.