16 out

Polarização do segundo turno gera ‘desalento’ no debate eleitoral

Grupo sem alinhamento partidário que chegou a concentrar 60% das discussões no 1º turno gera pouco mais de 10% do debate; Cerca de 50% das contas de grupo sem alinhamento partidário saem da discussão; outros 23% migram para base de apoio de Haddad; Base de apoio de Bolsonaro concentra mais de 50% de toda a discussão

Atualizado em 16 de outubro, 2018 às 6:36 pm

Diante do cenário de intensa polarização do segundo turno, o grupo que foi o maior protagonista do debate político no Twitter na primeira fase da campanha esvaiu-se. Com discurso anti-Bolsonaro, o grupo rosa, que chegou a concentrar 60% dos perfis e interações no primeiro turno, segue com elevado percentual de contas, mas com volume muito mais baixo de participação na rede e, por consequência, com menor mobilização de discursos. De quinta-feira (11) a domingo (14), sob uma base de 5,4 milhões de retuítes sobre os presidenciáveis — os 13 que participaram do primeiro turno —, o grupo rosa decaiu a somente 10,7% dos retuítes, feitos por 34% dos perfis que participaram da discussão.

Por outro lado, o grupo azul, de apoio a Jair Bolsonaro, observou aumento considerável no volume de retuítes de seus integrantes: ele apresenta 24,5% dos perfis (eram 18,6% na semana anterior ao primeiro turno), mas passou a responder por 51,4% de todas as interações do debate, muito à frente da participação do grupo vermelho, alinhado a Fernando Haddad. Este reúne hoje mais perfis (35,5%), mas tem apenas 36,3% das interações identificadas. Ou seja: além de aumentar a quantidade de usuários engajados, o núcleo pró-Bolsonaro ampliou bastante a atividade na rede social — o que não se verifica na base petista, mesmo contando com mais perfis no debate.

Da mesma forma, após semanas de queda, voltou a aumentar o volume de atividades provenientes de robôs, chegando a 7,65% do total de interações no período analisado — ante 4,4% logo depois do primeiro turno. De quinta a domingo, 10,4% dos retuítes do grupo azul foram feitos por contas automatizadas, assim como 5,7% das interações do grupo vermelho; no grupo rosa, somente 0,6% dos retuítes envolveu atuação de robôs.

Grupo rosa deixa debate político

Comparados os perfis que integram cada grupo principal do debate desde a última quinta e os polos de discussão da semana anterior ao primeiro turno, observa-se expressiva migração de contas que antes atuavam no grupo rosa (e que, no começo do mês, passaram a apoiar Ciro Gomes) para o grupo vermelho. Entretanto, a maior parte dos perfis que integravam essa base, dado a definição do segundo turno entre Bolsonaro e Haddad, saíram da discussão política.

Antes do primeiro turno (entre 26 de setembro e 2 de outubro), havia 338 mil perfis no grupo rosa; só 86,2 mil permaneceram no mesmo grupo no período entre dos dias 11 e 14 de outubro (25,5%), e 79,3 mil foram para a base de Haddad (23,5%). Fração bem maior (168 mil contas, ou 49,7%) saiu da discussão, e quase não se verificou migração para o grupo azul, pró-Bolsonaro: só 2,2 mil perfis foram do rosa para o azul no grafo.

Isso atesta a transferência de apoio do pedetista para Haddad no segundo turno, mas se faz notável a proporção de perfis de oposição a Bolsonaro que não estão engajados no debate de rejeição ao líder das pesquisas, que segue com eixo de apoio muito estruturado e vocal no cenário político da rede. O grupo azul recebeu o reforço de 87 mil perfis que não haviam aparecido no mapa de interações anterior ao primeiro turno, enquanto o vermelho, pró-PT, recebeu 114 mil novas contas. Outros 138 mil perfis ausentes na discussão anteriormente passaram a integrar o grupo rosa, que se configura atualmente a partir da oposição a Bolsonaro sob o foco do humor, da contraposição a fake news e informações não verificadas e de críticas à campanha petista e a Haddad no confronto com o deputado federal do PSL.

O aumento da polarização entre azul e vermelho, com a diminuição do impacto do grupo rosa no debate, produziu ainda um outro grupo minoritário, em lilás, que entre quinta e este domingo respondeu por 2,4% dos perfis e por somente 1% das interações do debate. Ele é, em maioria, formado por contas à direita que manifestam rejeição a Bolsonaro e a Haddad, e fazem críticas a ambos enquanto projetos remanescentes de governo para o Brasil em 2019. Esse grupo recebeu perfis que não estavam participando das discussões antes do primeiro turno (9,4 mil) e de outros dois grupos à direita, antipetistas (estavam em amarelo e laranja), que se consolidaram no grupo azul pró-Bolsonaro ou migraram para este novo, em lilás.