21 set

Quarto debate presidencial mobiliza 387 mil tuítes

Mesmo ausente do debate, Jair Bolsonaro foi o presidenciável mais citado em discussões no Twitter durante a transmissão; Pela primeira vez presente em debate presidencial, Haddad teve 24% das menções associadas a Lula e debate dividido entre elogios e acusações de corrupção ao PT

Atualizado em 24 de setembro, 2018 às 11:32 am

O debate presidencial promovido pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e veiculado na TV Aparecida, na quinta-feira (20), gerou 387.598 publicações no Twitter sobre os presidenciáveis entre as 21h de quinta (20) e a 01h de sexta (21). A repercussão foi expressivamente menor que a registrada no debate promovido pela Band, no dia 09 de agosto, quando foram registradas 1,59 milhão de publicações no Twitter em apenas três horas, e no debate da Rede TV!, no dia 17 de agosto, quando foram 619 mil referências.

Apesar de não ter participado da transmissão por ainda estar hospitalizado, Jair Bolsonaro foi o presidenciável mais citado nas discussões (168,6 mil menções) e assunto das publicações mais retuitadas do período. Fernando Haddad, que esteve pela primeira vez em um debate nestas eleições, foi o segundo mais mencionado, com 58,5 mil referências.

Além do petista, participaram do debate os candidatos Alvaro Dias (Podemos), Ciro Gomes (PDT), Geraldo Alckmin (PSDB), Guilherme Boulos (PSOL), Henrique Meirelles (MDB) e Marina Silva (Rede). Convidado, Cabo Daciolo alegou problemas de agenda para não ir.

Menções aos candidatos

As principais discussões em torno do nome de Bolsonaro giraram em torno de comentários sobre as investigações da Polícia Federal a respeito do ataque a faca que sofreu no dia 06 de setembro. Outras menções abordaram ainda o comício realizado ontem pelo seu filho Eduardo Bolsonaro e com a presença do ator Alexandre Frota em Sorocaba (SP).

Haddad, por sua vez, teve cerca de 24% de suas menções em associação a Lula, marcadas por elogios de apoiadores e críticas de opositores, que citaram a associação de governos de esquerda a problemas sociais, usando como exemplo a situação da Venezuela no governo de Nicolás Maduro. As menções sobre Haddad que não abordaram o ex-presidente foram também polarizadas: os apoiadores elogiaram sua performance na primeira participação em um debate presidencial e seu crescimento nas pesquisas eleitorais; os detratores trouxeram acusações de corrupção contra o PT. Foi destaque ainda a repercussão do confronto entre Haddad e Alckmin em que os dois buscaram se desassociar da imagem de Michel Temer.

Ciro Gomes foi o terceiro candidato mais citado, sobretudo em contraposição a outros candidatos, como Bolsonaro e Haddad, não assumindo protagonismo na discussão na rede. Os usuários também comentaram que o candidato apresentou um tom mais amistoso no debate, especialmente com Marina Silva. Entre os perfis situados no campo “progressista”, Ciro foi citado como uma terceira opção diante da polarização entre Haddad e Bolsonaro e elogiado pelos questionamentos que fez sobre as políticas fiscais durante o governo do PT.

Quarto presidenciável mais citado na repercussão do debate, Alckmin foi mencionado de forma negativa pelos usuários, que o consideram um representante da “velha política”. Já Marina Silva, ainda que ocupando a quinta colocação em número menções na rede, teve uma discussão marcada por comentários elogiosos por fazer críticas a Jair Bolsonaro, o que  impulsiona menções à candidata desde o debate na Rede TV!.

Hashtags

A hashtag #debateaparecida esteve entre os trending topics mundiais do Twitter durante a transmissão, presente em 63.928 postagens associadas aos presidenciáveis no período. Porém, houve uma queda na participação de hashtags oficiais utilizadas por emissoras em comparação com o debate na Rede TV!: enquanto #debateredetv repercutiu em 1 a cada 3 publicações, #debateaparecida apareceu em cerca de 1 a cada 6 tuítes.

Ciro foi o presidenciável mais citado entre as hashtags promovidas por apoiadores, como em #cironacnbb (18.876 publicações) e #ciro12 (11.453 publicações); seguido por Fernando Haddad, com #haddadélulanatv (11.282 publicações) e #haddadpresidente (2.543 publicações). Geraldo Alckmin foi o terceiro candidato mencionado nas hashtags, ainda que promovida por detratores, como #alckmintofora (5.745 publicações).

Menções às hashtags no debate sobre os candidatos

O debate temático

A temática mais abordada durante o debate foi corrupção, principalmente em menções sobre Haddad e Alckmin. Sobre o petista, os usuários apontaram suposta incoerência entre as falas do candidato sobre o combate à corrupção em contraposição à prisão do ex-presidente Lula. Já o tucano foi mencionado nas acusações de desvios de verbas durante a sua gestão no governo de São Paulo, como no caso de desvio de recursos da merenda escolar destinada a alunos da rede pública do estado.

Menções a temas

Economia foi o segundo tema discutido, especialmente mobilizado pela temática do desemprego. As discussões foram encabeçadas pelas contas oficiais dos candidatos e seus apoiadores, que apresentaram propostas para geração de postos de trabalho, caso eleitos.

Segurança pública foi a terceira temática, fortemente associada a Jair Bolsonaro e mobilizada por perfis conservadores. O teor das discussões ressalta a defesa do endurecimento de políticas contra criminosos, ressaltando a ideia de que “bandido bom é bandido morto”.

A defesa da participação das mulheres na política, principalmente por Marina Silva e Guilherme Boulos, impulsionou a temática de gênero, quarta mais abordada. O debate associado a Marina repercutiu a defesa de propostas da candidata para equiparação de salários entre mulheres e homens. Já as menções a Boulos destacam a resposta do candidato à pergunta de Alvaro Dias sobre Reforma Política e a defensa do candidato do PSOL à participação de mulheres na política. O tema gerou críticas a Alvaro Dias por não ter mencionado igualdade de gênero em sua proposta de reforma do sistema político.

Educação, por sua vez, teve uma discussão associada ao debate que destacou, especialmente em menções encabeçadas por perfis progressistas, a importância dos investimentos em educação superior.