17 set

Sabatina de Haddad no ‘JN’ motiva 266 mil publicações no Twitter

Repercussão de entrevista foi menor apenas que a de Bolsonaro, quando foram registradas mais de 1,3 milhão de tuítes; Citado 98,3 mil vezes, Lula foi o principal tema do debate

Atualizado em 18 de setembro, 2018 às 5:26 pm

Último dos candidatos à Presidência a participar da sabatina do “Jornal Nacional”, na última sexta-feira (14), Fernando Haddad fechou a série de entrevistas com desempenho bastante superior, em termos de volume de menções no Twitter, ao de Ciro Gomes (107 mil menções), Marina Silva (82,2 mil) e Geraldo Alckmin (44,9 mil). O ex-prefeito de São Paulo foi destacado em 266,6 mil publicações no Twitter, das 19h de sexta às 07h de sábado (15) — bem atrás de Jair Bolsonaro, que, quando entrevistado no JN, gerou 1,3 milhão de tuítes.

O pico máximo de referências a Haddad ocorreu às 21h30min, quando houve 2.726 referências por minuto ao candidato, logo após o fim da sabatina. Perfis de apoiadores fizeram elogios ao desempenho do petista frente aos questionamentos feitos pelos apresentadores William Bonner e Renata Vasconcellos, e criticaram a falta de oportunidades para que Haddad pudesse detalhar propostas de governo. Opositores ao PT enfatizaram a participação de Lula na candidatura mesmo cumprindo pena em Curitiba, e houve engajamento comparativo à performance de Bolsonaro no “JN” — e à postura dos jornalistas ao entrevistá-lo.

Diferentemente dos demais candidatos, que participaram dos debates na TV e de diferentes eventos da imprensa desde o começo de agosto, Haddad teve na TV Globo a primeira aparição como postulante ao Planalto. Uma semana antes (no dia 06 de setembro), ainda como candidato à vice-Presidência, o ex-prefeito paulistano havia ido à série de entrevistas da GloboNews com os vices e obtido impacto bem menor: 40,2 mil tuítes entre as 19h de quinta e as 07h de sexta (07). É importante ressaltar, ainda, que Haddad foi sabatinado no canal apenas horas depois do ataque a Jair Bolsonaro em Juiz de Fora, que concentrou as atenções do debate político na internet naquele dia.

O debate temático

A sabatina foi fortemente marcada por questões associadas à corrupção e ao cenário político do país, com volume baixo de referências a tópicos de políticas públicas e a programas de governo. Lula, enquanto principal subtema da entrevista, foi citado 98,3 mil vezes (36,8% do total de menções do período) e despontou como ator central da polarização observada nas reações de apoiadores e opositores à participação de Haddad na TV. A condução da sabatina por Bonner e Renata, em especial os questionamentos sobre outros políticos petistas envolvidos em corrupção, gerou 89 mil tuítes, enquanto a discussão sobre políticos e agentes públicos sob investigação de forma geral foi destacada em 31,4 mil publicações.

Resumido a 19,8 mil tuítes, o debate econômico destacou sobretudo o resultado do governo Dilma para a situação atual do país, assim como referências às promessas de Haddad de recuperar empregos, reduzir a desigualdade social e combater políticas implantadas pelo presidente Michel Temer. Muito do conteúdo temático de economia, em vez de partir de falas do ex-prefeito no JN, foi mobilizado a partir de postagens de perfis alinhados ao PT, como resposta à ausência de perguntas programáticas na entrevista. Sobre educação, houve 7,5 mil tuítes, recordando o desempenho de Haddad à frente do Ministério da Educação e os programas do governo Lula para o acesso ao ensino; sobre saúde, foram apenas 640 publicações; sobre segurança pública, 4,2 mil postagens.

A principal hashtag associada a Haddad na entrevista foi #HaddadÉLulanoJN, que mantém o engajamento por parte da militância alinhada ao PT (62,3 mil ocorrências no Twitter). Outras variações que apareceram foram #haddadnojn, #haddadnojornalnacional e #haddad13éLula13noJN, embora com menor volume de referências, e nem todas citando o ex-presidente junto ao agora candidato petista. Entre opositores do PT, a hashtag #bolsonaropresidente17 teve 1,7 mil recorrências em associação ao debate sobre a sabatina de Haddad e ficou entre as dez principais hashtags engajadas sobre o evento.

Bolsonaro teve relevante participação no debate sobre a sabatina de Haddad: citado 38,1 mil vezes (14% das menções). O candidato do PSL aparece com proeminência em comparativos sobre as posições antagônicas que ambas as candidaturas desempenham no espectro político, sob impacto da pesquisa Datafolha divulgada pouco antes. Também Haddad e Bolsonaro aparecem associados a partir de discussões sobre prognósticos para o segundo turno e o desempenho de Alckmin e Ciro como alternativas a cada um dos lados.

A presença de Ciro no debate sobre Haddad também foi expressiva, pouco abaixo da de Bolsonaro: 34,8 mil menções (13%). No entanto, em vez de postagens comparativas sobre propostas de cada campanha ou de repercussão específica da entrevista ao JN, a associação entre Ciro e Haddad se articulou a partir da pesquisa Datafolha, com postagens (de defensores de ambos os candidatos) com análises sobre as chances de vitória sobre Bolsonaro no 2º turno e o crescimento recente do petista nas pesquisas. Em relação à sabatina, houve menções negativas a respostas de Haddad sobre avanços do governo Lula, em especial com críticas à ex-presidente Dilma e ao histórico político do ex-prefeito, quando equiparado ao de Ciro.

O terceiro presidenciável de maior associação a Haddad foi Alckmin, por conta de comentário do candidato petista sobre a participação de tucanos em esquemas de corrupção e a declaração, dada por Tasso Jereissati, presidente do PSDB, a respeito da participação tucana no impeachment de Dilma. Outro tópico de associação entre ambos foi a quantidade de interrupções que cada um teve pelos apresentadores, com questionamentos, por parte de perfis pró-PT, sobre a diferença para Alckmin, que, segundo as postagens, seria o candidato que menos foi interrompido por William Bonner e Renata Vasconcellos. Também há postagens que fazem o mesmo comparativo em relação à participação de Marina no Jornal Nacional.

No Facebook, Haddad se beneficiou da exposição na sabatina e, na noite em que esteve na bancada do JN, acumulou 303,3 mil engajamentos, com folgas o melhor desempenho no mês de setembro. Tem crescido o volume de interações acumuladas por Haddad desde o começo da última semana, quando foi oficializado candidato do PT à Presidência. No entanto, a taxa de engajamento por post de Haddad, de 19 mil interações/publicação, foi inferior à obtida por ele em 11 de setembro (27,5 mil), quando foi confirmado no lugar de Lula na chapa do PT.