28 jun

Sabatina de Manuela gera debate sobre machismo e Bolsonaro

Entrevista provocou engajamento de perfis de esquerda e de direita, mostra DAPP Report

Atualizado em 6 de julho, 2018 às 10:27 am

Principal fonte de debate semanal neste período de pré-campanha sobre os presidenciáveis, o programa “Roda Viva” tem modificado a cada segunda-feira a atenção de grupos que discutem as eleições nas redes sociais e reposicionado temas e nomes específicos no mapa do Twitter. Desta vez, e com particular força, a participação de Manuela D’Ávila no programa foi o motor das pautas da semana, seja pelo engajamento (compartilhado por perfis de toda a esquerda) de críticas à condução da entrevista, com queixas de machismo e de desvirtuamento das perguntas, seja pelo impulso dado à polarização entre Lula e Jair Bolsonaro, ambos protagonistas, com Manuela, das discussões levantadas no programa.

>> Confira a íntegra do DAPP Report – A semana na rede

De segunda-feira (25) a quarta (27), a pré-candidata do PCdoB foi citada cerca de 200 mil vezes no Twitter, ascendendo em volume de menções aos números normalmente reservados a Lula, Bolsonaro e, nos últimos meses, Ciro Gomes em situações específicas. Mas, em contiguidade com a repercussão da entrevista, da postura de Manuela e de seus entrevistadores, subiram igualmente entre segunda e quarta as referências ao petista e ao deputado federal do PSL. Lula, na terça (26), chegou a 102 mil tuítes, frente a menos de 50 mil de média diária na semana anterior; e Bolsonaro, de média diária de cerca de 35 mil tuítes no mesmo período, foi a 57,8 mil na terça posterior à transmissão do “Roda Viva” com Manuela.

Em relação ao crescimento de Lula, o principal eixo de debate — afora referências associadas a Manuela — foi a condução no Supremo Tribunal Federal do julgamento do seu pedido de soltura. Há intensa mobilização de perfis contra Lula, e não só entre apoiadores de Bolsonaro, com críticas ao STF no caso de soltura do petista e que discutem a posição dos ministros Edson Fachin e Marco Aurelio Mello. Quanto a Bolsonaro, verifica-se correlação mais forte entre o “Roda Viva” e a sua maior presença no Twitter na terça, dada a participação de um de seus coordenadores de campanha.

Em situação de empate técnico com Bolsonaro, de acordo com a última pesquisa eleitoral (divulgada pelo Ibope nesta quinta, 28), Marina Silva persiste pouco citada no Twitter, e sem atrair seguidores ou conduzir temas específicos que a ponham em destaque. No começo do mês, o desempenho de Marina em outra pesquisa de opinião, desta vez do Datafolha, fez com que, de forma temporária, perfis favoráveis a Bolsonaro fizessem críticas à pré-candidata de forma semelhante à ocorrida com Ciro Gomes em maio. Essa breve janela de atenção sobre Marina, contudo, desapareceu, e a representante da Rede nas eleições obteve, como maior pico de menções, repercussão a partir de posição contrária ao porte de armas pela população, no sábado (23): 8,1 mil tuítes.

Outro ator a se destacar no período foi Rodrigo Maia, citado 15,4 mil vezes na sexta (22), embora sob ângulo negativo: repercutiu na imprensa e com muita intensidade nas redes sociais, à esquerda e à direita, a informação de que Maia jantou com Aécio e Temer. O papel do presidente da Câmara na administração da CPI da Lava Jato também foi destaque e objeto de críticas — quase inteiramente a partir de perfis à direita, que relacionam a condução da CPI a articulações por apoio eleitoral com diferentes partidos.