01 nov

Após vitória, Bolsonaro registra 12 milhões de tuítes

Críticas do presidente eleito à imprensa e repercussão das eleições faz perfis de veículos tradicionais retomarem relevância como engajadores de agendas e debates políticos; Falas de Mourão e Paulo Guedes sobre Reforma da Previdência impulsionam menções sobre o assunto

Atualizado em 13 de novembro, 2018 às 12:43 pm

O processo eleitoral, por fim encerrado mais de dois meses após o início oficial da campanha, gerou cerca de 110 milhões de tuítes sobre os diferentes candidatos à Presidência, sempre com o presidente eleito Jair Bolsonaro em posição central como protagonista e antagonista dos demais grupos de apoio nas redes. Bolsonaro se manteve com força e impacto muito superior ao de seus adversários ao longo de todo o debate político, em especial após a saída em definitivo de Lula do páreo, e no Facebook apresentou uma ampla margem de vantagem na quantidade de engajamentos que obtinha. O presidente eleito anteviu os movimentos que levaram o eleitorado às redes sociais para interagir sobre política, preservou uma base ativa de suporte, seguiu ampliando o alcance de suas mensagens. Deu certo.

> Confira a íntegra do DAPP Report – A semana nas redes

Evolução de menções no Twitter aos presidenciáveis – 25.out a 31.out

 

Na semana final do segundo turno e dos primeiros momentos de Bolsonaro como presidente eleito, não foi diferente. Fernando Haddad até conseguiu expandir presença no Twitter e no Facebook pouco antes da votação, reduziu a diferença de interações e engajamento para o adversário, mas não conseguiu igualá-lo ou neutralizar seus discursos. Desde domingo, conforme esperado com o fim da disputa, o debate sobre ambos caiu, agora já articulado em função do futuro governo de Bolsonaro. O que resta, sob o ponto de vista do impacto das redes sociais, é verificar de que forma o presidente eleito atuará junto ao eleitorado durante sua gestão — e se este seguirá usando a web para fazer a interlocução com o presidente. E se, do lado da oposição, haverá atores que saberão se posicionar dentro do espaço das redes como novos protagonistas do contraponto ao governo do PSL.

Engajamento nas páginas dos presidenciáveis – 25.out a 31.out

Mapa de interações no debate via Twitter

O mapa de interações com o debate imediatamente posterior ao fim do segundo turno evidencia a expressiva participação do grupo de apoio ao presidente eleito após o resultado das urnas, mesmo não sendo o núcleo com maior volume de perfis. No total, já excluídos robôs, entre segunda-feira (29 de outubro) e quarta (31) foram coletados 5.633.439 tuítes, dos quais 4.117.531 são retuítes, sobre Bolsonaro e Haddad. A atividade de perfis automatizados, muito baixa no domingo (28), quando da votação, aumentou um pouco nos últimos dias, com a identificação de 138.488 postagens feitas por robôs (2,92% do total de publicações coletadas no período). Portanto, ainda em participação mais baixa que a vista em outros momentos da eleição.

O grupo azul, pró-Bolsonaro, agregou 18,5% dos perfis que participaram do debate (cerca de metade do volume de perfis da base pró-PT), mas estes foram bastante ativos ao repercutir a vitória do candidato, respondendo por 39,1% das interações do grafo. O perfil oficial de Bolsonaro e as contas de seus filhos são absolutos como os principais influenciadores, com poucos outros atores entre os protagonistas centrais. Repercutem as falas de comemoração do presidente eleito, os primeiros anúncios, críticas feitas por Bolsonaro e agradecimentos.

O grupo favorável a Haddad, em vermelho, reuniu 37,1% dos perfis que abordaram o resultado do segundo turno, com 26,6% das interações do grafo. Ao contrário do que se verifica no grupo azul, é baixa a relevância de políticos do PT entre os principais influenciadores, excetuado Haddad — que, da mesma forma, não tem sobre o grupo o mesmo protagonismo exercido pelas contas da família Bolsonaro. Perfis contrários ao presidente eleito fazem críticas ao resultado, projetam prognósticos negativos para diferentes questões do Brasil e, em especial, demonstram rejeição a eleitores de Bolsonaro, em função do medo do aumento da intolerância contra minorias.

Em rosa claro (15,2% dos perfis, 22,4% das interações), no grupo que se manteve ao longo da eleição manifestando oposição a Bolsonaro, mas sem explícito apoio e interlocução com o PT, nos dias subsequentes à vitória do candidato do PSL se articulou, de forma inédita, a partir de perfis da imprensa tradicional. Desde a eleição de 2014, conforme acompanhado pela FGV DAPP, perfis da imprensa vem perdendo de forma progressiva relevância como engajadores de agendas e debates políticos no Twitter.

Nesse período, a imprensa também deixou de atuar em grupos “mediadores” dos tópicos e opiniões manifestados pelos dois polos do espectro político. Mas, sob o peso das críticas de Bolsonaro à imprensa e, em específico, à “Folha de S. Paulo”, esse grupo se articulou a partir da repercussão das primeiras notícias sobre o futuro governo e da defesa da liberdade de imprensa, unindo-a a outras pautas, como a sustentabilidade e a crítica ao projeto “Escola sem Partido”.

O grupo rosa escuro, que reúne 10,9% dos perfis e foi responsável por 4,5% das interações coletadas, traz memes com críticas à ausência de Bolsonaro nos debates. Também estão entre os principais influenciadores usuários que acusam os eleitores do capitão da reserva de serem apoiadores de um discurso que legitima a violência contra as minorias.

Em sentido oposto, ainda que ocupando menor espaço no debate, o núcleo verde reúne perfis de apoio a Bolsonaro, que acusam eleitores contrários ao presidente eleito de “torcer contra” o novo governo. No grupo, que conta com 9,2% dos perfis e 4,1% das interações analisadas, há, ainda, críticas aos eleitores de Bolsonaro, que afirmam que eles deveriam parar de “mitificar” o presidente e passar a cobrá-lo e a fiscalizar suas ações. Menor núcleo do período, o grupo amarelo (3,48% dos perfis e 1,97% das interações) também destaca mensagens de apoio a Bolsonaro em uma repercussão internacional, com políticos e personalidades públicas de diversos países entre os principais infuenciadores.

O debate econômico

O debate em economia voltou a ser movimentado na última semana, pautado principalmente por promessas de campanha às vésperas do segundo turno e, mais recentemente, pela movimentação inicial e arranjos do novo governo de Jair Bolsonaro.

Ainda antes do segundo turno, repercutiram duas declarações ligadas a Bolsonaro. A primeira, do próprio candidato, sobre proposta para aumentar o papel do Banco Central, incluindo a definição de meta para controle do câmbio. A fala de seu vice, Hamilton Mourão, de que a Reforma da Previdência seria uma prioridade do governo também mobilizou comentários sobre o assunto, principalmente a parte que fala sobre a entrada dos militares no pacote da reforma.

Evolução de menções no Twitter no debate econômico – 25.out a 31.out

Já as primeiras declarações de Bolsonaro como presidente eleito, incluindo uma série de tuítes com promessas que visam a recuperação da economia e a criação de empregos, tiveram grande repercussão entre seus apoiadores. No entanto, foi a fala do economista Paulo Guedes sobre priorizar a Reforma da Previdência e os planos para unificar ministérios, incluindo a criação do “super” Ministério de Economia, que foram os assuntos que mais impulsionaram menções.

Em relação a Haddad, os assuntos que mais repercutiram estavam relacionados às promessas de governo ainda antes do resultado do segundo turno. Nesse período, não houve nenhum tema novo para a área de economia; os principais destaques continuaram sendo os planos para retomada de investimentos em Educação e o anúncio de algumas medidas econômicas para geração de emprego.